Segmento 12: PAUSA 06
Ao iniciar uma pesquisa que envolve o corpo, o tempo como presença indistinta, capaz de atualizar-se a partir dos acontecimentos que o preenche, é um elemento fundamental na percepção e construção das práticas artísticas desenvolvidas até aqui. Apesar da facilidade em enumerar ações de forma cronológica, evidenciando um passado que determina fatores presentes e que são da mesma forma, passado como causa de um futuro imaginário, o transcorrer ininterrupto do tempo só é possível de se verificar através de uma série de acontecimentos que o preenche. Assim, o presente é o todo do acontecimento, atualizando a temporalidade como força manifesta.
Penso que, para acentuar tal característica de presença, em que o corpo é imanência vaporosa em constante construção e caos, a ausência aparente de sentidos e a precariedade das forças lineares de ações previsíveis constituem elementos capazes de desestabilizar nossa percepção cognitiva seqüencial. O corpo como acontecimento desloca qualquer possibilidade imediata de representação, interpretação e julgamento, situando-se no limiar entre presença e seu desdobramento temporal/espacial. Diante das imensas possibilidades que nos estimula a agir, o presente é o fato real em sua magnitude, distinto e desterritorializado de qualquer conexão entre passado e futuro. Os sentidos advindos dessa presença são estímulos para posteriores ações, ilimitadas e finitas, mas sempre abertas ao devir. Estímulos sensoriais e perceptivos para deslocamentos existenciais, contribuindo ativamente na construção de mundos incessantes, também ilimitados e finitos.
Irei, nesse momento, me ater ao pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari, especificamente trabalhado no livro O que é a filosofia? favorecendo uma reflexão intencionalmente irregular que, de alguma forma, perpassa a escrita, a pesquisa, a prática e demais elementos construtores dessa dissertação. Dessa experiência, busca-se revelar caóides que, de acordo com os autores acima, são “as realidades possíveis em planos que recortam o caos”.pg 267
O conceito de caóide, desenvolvido por Deleuze e Guattari, funciona aqui como possibilidade de refletir sobre o corpo e o presente do acontecimento, favorecendo supostos encontros entre teoria e prática. Para possibilitar uma aproximação dessa natureza, o intersticial, a fenda, a fresta talvez sejam imagens possíveis, capazes de permitirem tal aproximação ao revelar no vazio que as constitui a afirmação de algo não visível. Portanto, para tal embate, no sentido imagético do termo, pretendo aqui permitir que a fenda, a fresta capaz de produzir realidades, seja momentaneamente exposta, para que, a partir dessa erótica violência e despudor, possamos juntos experimentar o corpo como acontecimento.
De acordo com os autores,
“ O pintor não pinta sobre uma tela virgem, nem o escritor escreve sobre uma página branca, mas a página ou a tela estão já de tal maneira cobertas de clichês preexistentes, preestabelecidos, que é preciso de início apagar, limpar, laminar, mesmo estraçalhar para fazer passar uma corrente de ar, saída do caos, que nos traga a visão.”pg. 262
O corpo como acontecimento me parece capaz de assimilar tais superfícies – da tela ou do papel – apresentando-as como pele. E nesse plano sensível, poroso, limpar os clichês não apenas destroça o visível, mas faz do invisível, do interno e subjetivo que nos constitui algo perfurado por vulvas multiplicadas de onde jorram afecções possíveis. Se a dissertação MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO manifesta-se como algo físico, presença material, a experiência que permitiu tal manifestação é da ordem do invisível, do efêmero, do vazio como lugar entre uma borda e outra, entre uma margem e seu espelhamento na outra margem. Assim, na arte, o corpo consciente de si é o criador das possíveis realidades que o constitui e como uma caóide, manifesta-se pensamento, recorta o vazio do caos dando-lhe sentido. Dessa permissividade, arte e vida não sugerem uma proximidade, um emparelhamento, mas sim uma junção capaz de neutralizar dualidades.
Para os autores, a arte seria uma caóide, assim como a ciência e a filosofia, o que me permite concluir, seguindo um espírito livre próprio do campo artístico, que o corpo – meu corpo, nossos corpos – seriam também caóides. Entretanto, se sigo o pensamento dos dois, algo se complica nessa reflexão, já que para eles a “junção (não a unidade) dos três planos é o cérebro.”p.267 E nessa proposição, o cérebro é considerado algo como o próprio eu, e não apenas um órgão capaz de funções úteis submetidas à plena capacidade perceptiva e cognitiva de algo maior. Como sujeito, o cérebro conteria a primazia de ser pensante, cristalizador do corpo homem e manifestação independente de qualquer relação secundária entre as partes do corpo. Como comentam os autores,
“Se os objetos mentais da filosofia, da arte e da ciência (isto é, as idéias vitais) tivessem um lugar, seria no mais profundo das fendas sinápticas, nos hiatos, nos intervalos e nos entre-tempos de um cérebro inobjetivável, onde penetrar, para procurá-los, seria criar.”p.268
O assunto é vasto e me parece inadequado tentar elucidá-lo nesse momento, já que a situação prioriza um fechamento, uma defesa do que já foi dito até então, no percurso da pesquisa. De qualquer forma, percebo a porta entreaberta, orientando-me a seguir em frente, a desbravar mais uma percela, um segmento de alucinação capaz de sensibilizar partes adormecidas desse corpo. Para isso, o caminho me parece ser o da investigação, da aventura exploratória, do próprio devir. E, portanto, me limitarei a dizer sobre alguns assuntos pertinentes, em forma de recorte textual, para, em seguida, fortalecer os excessos cometidos no texto dessa dissertação e, quem sabe, talvez, no próprio acontecimento dessa defesa.
Ao me referir ao cérebro, corpo, movimento, tempo etc, é praticamente impossível deixar à margem o termo consciência. Como dizer sobre a fresta e o vazio que a constitui, sobre a dor e a metamorfose que a alimenta, sobre performance enquanto acontecimento vivo em sua materialização sem com isso pensar naquilo que me faz ver o visível e o invisível, sentir o exprimível e o inexprimível, conhecer o que é manifesto e o que não é? Enfim, abordar essa realidade – a consciência – me parece adequado nesse momento, funcionando aqui como um apêndice, uma dobra que se revela na própria fenda criada pelo texto da dissertação.
Swami Shantananda, monge da tradição Siddha Yoga, desenvolve uma investigação sobre o Shivaísmo da Caxemira, milenar filosofia da Índia, no livro The Splendor of Recognition – An Exploration of the “Pratyabhijna-hrdayam”, a text on the Anciente Science of the Soul. (O Esplendor do Reconhecimento – Uma investigação do Pratyabhijñã-hrdayam, um texto da antiga ciência da alma). Nesse livro, o autor discorre sobre assuntos de profunda complexidade, facilitando nossa compreensão sobre temas fundamentais de acordo com o que podemos denominar de geografia do Ser.
Para iniciar, Shantananda nos presenteia com uma breve apresentação do termo citi, palavra em sânscrito que deriva da raiz cit, denominando atributos como perceber, observar, entender, aparecer, conhecer. Citi então é o poder de fazer as coisas aparecerem, de dar vida ao que não tinha, de despertar. Assim, citi é denominada consciência. “Além disso, o shivaísmo designa atributos femininos a esse poder e lhe dá o nome de Citi” – Deusa suprema, mãe de toda criação. Desenvolvendo aspectos que facilitam nossa compreensão sobre a Consciência suprema – Citi – o autor aprofunda reflexões a respeito dos 10 Sutras que dão forma e conteúdo ao Pratyabhijna-hrdayam.
Deter-me-ei apenas em um dos aspectos descritos, buscando nortear um caminho que induza nossa percepção sobre a condição do corpo e da consciência, de acordo com essa filosofia. Assim, antes de tudo, é fundamental ter consciência de que a Consciência aqui é de natureza divina, é manifestação criativa do universo, é univocidade ontológica dos seres. Para um conhecimento mais claro de Citi, pode-se verificar os dois aspectos que a constitui. O primeiro, praka ´sa (luz) e o outro vimar´sa (conhecimento, consciência, percepção). Assim a Consciência é luz, capaz de revelar e dar forma ao que existe. Portanto, a luz, quando se dobra sobre ela mesma, permite a capacidade reflexiva, perceptiva e consciente do que é manifesto, tornando possível a elaboração de sentidos para o que sentimos, conhecemos, consideramos. Sem essa capacidade, a luz seria apenas algo inerte, ou caos total. Assim, praka ´sa é a ponta da seta da nossa percepção, a percepção direta e presente, sem considerações, julgamentos, reflexões; e vimar´sa, que acontece praticamente ao mesmo tempo, seria o discernimento, a capacidade de reconhecimento e consciência cognitiva. Vimar´sa, a percepção consciente, é comum a todos nós e nos orienta diante dos acontecimentos. Olhar para sua própria consciência, perguntando-se “quem vê através dos meus olhos? quem sou eu? quem experimenta a mente?” é uma realização semelhante à apreendida pela Consciência universal, que desdobrando-se sobre ela mesma, se reconhece.
Para ir além nessa compreensão, o autor apresenta mais um poder da Consciência, elucidando aspectos que podem nos orientar nessa reflexão. O poder de criar um universo, manifesto na nossa forma particular de percepção, é em si um ato de criação, já que tudo aquilo de que temos consciência é recriado a cada nova experiência, a cada novo olhar, a cada nova relação. Inevitavelmente, o mundo em que agimos e vivemos é nossa própria criação, manifestando-se a partir de nosso sentir particular, desdobrando-se diante de nossos olhos como nossa própria luz. Repetimos assim o processo criativo do Universo, criando e recriando nossas experiências diárias, sensações, contatos. Dessa forma, praka´sa aqui é o próprio Senhor da criação, Shiva, luz manifesta; e vimar´sa o poder de reconhecimento de si, a Shakti - proteção, força, potência, energia. Shiva e Shakti, unidos, manifestam o movimento vibratório arquetípico, o desejo de ser a criação. Dessa manifestação, a natureza essencial da Consciência é praka´sa vimar´sa - Shiva (energia masculina) e Shakti (energia feminina) como unidade.
José Gil, filósofo português, no artigo Abrir o corpo, incluído no catálogo Lygia Clark, da obra ao acontecimento, apresenta-nos uma reflexão sobre a capacidade do corpo de se abrir para o mundo e para si mesmo como potência orgânica e ser de consciência e de inconsciente. Sem o misticismo próprio da filosofia indiana aqui apresentada e mais adequada ao pensamento acadêmico, Gil descreve uma forma de consciência divergente da habitual, propondo relações profundas entre criação e cura. Invertendo o ponto de vista cartesiano, de um corpo situado no espaço e uma consciência incorporal, o autor preconiza outra instância para as manifestações do corpo e da consciência. Denominando de consciência do corpo o outro lado da intencionalidade consciente, de característica fenomenológica, o foco de atenção se situa na parte de trás dessa mesma consciência, indo além de uma percepção cognitiva capaz de identificar a dor em partes do corpo ou o prazer que se sente. Assim, consciência do corpo é impregnação da consciência pelo corpo, capacidade do corpo de ser receptor das forças do mundo. Nessa impregnação, a distinção entre corpo e consciência se liquefaz, favorecendo a trama entre pensamento e movimento do corpo e a capacidade já implícita do corpo como consciência “capaz de captar os mais ínfimos, invisíveis e inconscientes movimentos dos outros corpos. Movimentos de forças e de pequenas percepções.”p.64
Movimento de outra natureza, arquetípico, original, o emparelhamento e sincronia entre movimento do pensamento e movimento do corpo (não apenas movimento no espaço físico) atualiza-se a cada momento de tempo/espaço. Ontológico, o corpo metamorfoseia-se em órgão de captação das sensibilidades e vibrações dos afetos que o atinge. É essa capacidade e intensidade de contágio que nos permite conceber o corpo aberto, o corpo poroso e vivo. Daí que, como órgão de percepção, o corpo situa-se em um espaço distinto do que habitualmente o consideramos. Fronteiriça, tal consciência é interior e exterior, manifestando-se na linha demarcada entre percepção do espaço e percepção parcial do corpo. Apreendemos o mundo a partir dessa zona fronteiriça, que em nós é a pele, zona dimensional capaz de manifestar-se como órgão de “visão”, “audição”, “paladar”, descaracterizando todo o privilégio atribuído aos órgãos dos sentidos, como o ouvido e os olhos. A pele sendo uma consciência, “coextensiva à sua superfície”, vê o mundo a partir de todos os seus pontos – rizoma celular.
Essa abertura permite ao corpo um intenso alargamento topológico, profundo mergulho em si e no mundo, ativando a capacidade de conexão e agenciamento com outros corpos, favorecendo sentidos, consistências e pontos de contato.
“Abrir o corpo é criar a zona em que o corpo, visto do exterior do interior, entra em contágio com o mundo. É a zona do devir constante das crianças que brincam, em que as palavras agem e os gestos falam, em que o corpo espectral se dissolve nas forças que se conectam com as forças do outro.” p. 66
Se me permito experimentar a pele como cérebro, se meu corpo age como uma caóide, onde se incrustam ideias vitais, pensar não é mais privilégio de um órgão específico, mas de toda uma zona de superfície. Nesse caso, a criação seria um ato de existência, resistência e celebração e a arte o campo manifesto desse poder. Assim, onde se encontra a arte? Campo movediço, virtual, sua presença aqui não difere do próprio acontecimento que a constitui, reforçando a junção entre pulsão de vida e do que dela pode ser dito. Dessa forma, o corpo como acontecimento é o próprio campo, favorável às proposições advindas daí e seus desdobramentos no espaço/tempo. Com isso, não pretendo desqualificar a construção artística centrada na materialidade dos objetos, em suas qualidades conceituais e estéticas, mas propor uma relação que parta do contágio do corpo com outros corpos, estímulo para manifestações experimentais vitalizadas pelos afetos – consciência inconsciência - como prática.
Tal afirmação se repete insistentemente no texto da dissertação, demarcando territórios que transbordam seus limites nos excedentes da linguagem. Palavras surradas pelo retorno constante, mas que, nesse caso, é como uma batida sonora, um pulsar ritmado. Parece-me que esse ritmo é algo explosivo, inconsciente, manifestação de um desejo que se mantém do início ao fim. É como uma oração, que nos faz sensíveis ao que se é dito exatamente na parcela de esquecimento de que a repetição se constitui. Assim, mesmo exaustivo, o retorno constante à ideia de soberania, vitalidade do corpo, dualidade e unicidade, desterritorialização e transgressão dos clichês que nos constitui, reforçam a necessidade de afirmação de uma realidade que se quer estabelecer como presença. Portanto, afirmar repetidamente o mesmo me parece uma dosagem necessária no processo da escrita, favorecendo a incrustação no corpo desse pulsar latente, afirmação do desejo de abertura.
domingo, 13 de junho de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Plataforma Performance - Porto Alegre/RS
Aconteceu o evento PLATAFORMA PERFORMANCE.
De acordo com as informações contidas no blog
plataformaperformance.blogspot.com
o evento "é um encontro que pretende promover ações performáticas, debates, demonstrações de processos e workshops com o objetivo de refletir e vivenciar a performance.
É proposto a constituição de um campo para essas atividades, um aporte de base, uma plataforma para a discussão, reflexão e ação.
O evento foi contemplado com o prêmio Rede Nacional de Artes Visuais Funarte e conta com o apoio da Galeria de Arte do DMAE.
Confira a programação que vai do dia 13 ao dia 16 de maio."
Na mostra de videoperformances, participei com 03 trabalhos.
www.plataformaperformance.blogspot.com
De acordo com as informações contidas no blog
plataformaperformance.blogspot.com
o evento "é um encontro que pretende promover ações performáticas, debates, demonstrações de processos e workshops com o objetivo de refletir e vivenciar a performance.
É proposto a constituição de um campo para essas atividades, um aporte de base, uma plataforma para a discussão, reflexão e ação.
O evento foi contemplado com o prêmio Rede Nacional de Artes Visuais Funarte e conta com o apoio da Galeria de Arte do DMAE.
Confira a programação que vai do dia 13 ao dia 16 de maio."
Na mostra de videoperformances, participei com 03 trabalhos.
www.plataformaperformance.blogspot.com
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Lançamento do catálogo e bate-papo em novo dia
O bate-papo com os artistas da exposição Sala de Espera para lugar Nenhum e o lançamento do catálogo da mostra, que seria no dia 17 de maio, às 19h30 foi transferido para dia 28 de maio, às19h30, na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes.
Sala de Espera para Lugar Nenhum foi selecionada pelo Edital Artes Visuais 2009-2010 e ficou em cartaz de 15 de abril a 09 de maio, na Galeria Genesco Murta, Palácio das Artes. Mais de 3.000 pessoas foram conferir de perto a proposta coletiva assinada por Juliana Alvarenga, Marco Paulo Rolla, Paulo Nazareth e Wagner Rossi Campos. Os artistas construíram um espaço de circulação em que as montagens e desmontagens da galeria foram a própria exposição.
No bate-papo, os artistas conversarão com o público sobre o processo criativo da exposição, sua relação com o público e sobre o fazer artístico. A entrada é franca.
Sala de Espera para Lugar Nenhum foi selecionada pelo Edital Artes Visuais 2009-2010 e ficou em cartaz de 15 de abril a 09 de maio, na Galeria Genesco Murta, Palácio das Artes. Mais de 3.000 pessoas foram conferir de perto a proposta coletiva assinada por Juliana Alvarenga, Marco Paulo Rolla, Paulo Nazareth e Wagner Rossi Campos. Os artistas construíram um espaço de circulação em que as montagens e desmontagens da galeria foram a própria exposição.
No bate-papo, os artistas conversarão com o público sobre o processo criativo da exposição, sua relação com o público e sobre o fazer artístico. A entrada é franca.
domingo, 16 de maio de 2010
Demasiadamente humano
Uma galeria cagada d pato. Eis a obra e sua presença limite entre a origem roça e o lugar vanguarda. Tudo bem apropriado para se pensar em merda e pão e gente. Gente de corpo e mentira, de vida e representação, pulsão e desgaste. O pato, o pássaro e o homem. Aqueles livres e nós prisioneiros da jaula sem abertura. Corredor que leva ao nada, niilismo, vazio, sensação de miséria. Lágrimas pela sensação de homem que vejo diante de mim. Risos para esconder o homem em sua demasia. Medo, luxúria, inveja, carnificina de sorrisos envolventes em carne exposta. Desejo de vida morta pela casca da pele escondendo as máscaras vazias de ossos brancos manchados pelo vermelho sangue rosado na derme lisa do osso. Dentes brancos sob superfícies esverdeadas, pele cansada pelo tempo da mentira. Quem sou além de corpo exaurido e carne em pele e dentes sorridentes?
Alegria esfuziante do jogo humano que torna o real em mini carretéis espalhados por espaços lisos e cheio de crianças. Nada de ontem e de amanhã naquela sala de espera. Apenas o tempo da dor e da alegria exuberante. Da força manifesta que não pode calar e esconder sua obra de matéria maleável, moelavel, transformável. Acidente humano, desvio, volta ao eterno do mesmo. Corpos atrelados e enovelados pelo confronto entre obra e objeto trivial, alimento saudável para eternos contrários que se devoram insistentemente.
Wagner Rossi
Uma galeria cagada d pato. Eis a obra e sua presença limite entre a origem roça e o lugar vanguarda. Tudo bem apropriado para se pensar em merda e pão e gente. Gente de corpo e mentira, de vida e representação, pulsão e desgaste. O pato, o pássaro e o homem. Aqueles livres e nós prisioneiros da jaula sem abertura. Corredor que leva ao nada, niilismo, vazio, sensação de miséria. Lágrimas pela sensação de homem que vejo diante de mim. Risos para esconder o homem em sua demasia. Medo, luxúria, inveja, carnificina de sorrisos envolventes em carne exposta. Desejo de vida morta pela casca da pele escondendo as máscaras vazias de ossos brancos manchados pelo vermelho sangue rosado na derme lisa do osso. Dentes brancos sob superfícies esverdeadas, pele cansada pelo tempo da mentira. Quem sou além de corpo exaurido e carne em pele e dentes sorridentes?
Alegria esfuziante do jogo humano que torna o real em mini carretéis espalhados por espaços lisos e cheio de crianças. Nada de ontem e de amanhã naquela sala de espera. Apenas o tempo da dor e da alegria exuberante. Da força manifesta que não pode calar e esconder sua obra de matéria maleável, moelavel, transformável. Acidente humano, desvio, volta ao eterno do mesmo. Corpos atrelados e enovelados pelo confronto entre obra e objeto trivial, alimento saudável para eternos contrários que se devoram insistentemente.
Wagner Rossi
segunda-feira, 10 de maio de 2010
TRILOGIA APOKATASTASIS: do leite_do pato_do homem
TRILOGIA APOKATASTASIS: flexibilidade
terça-feira, 4 de maio de 2010
TRILOGIA APOKATASTASIS: sobre posição e velocidade dos corpos
segunda-feira, 3 de maio de 2010
SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM - O CORPOMENTE
sábado, 24 de abril de 2010
CRONOGRAMA - segunda semana/Sala de espera para luga nenhum
www.saladeesperaparalugarnenhum.blogspot.com
CRONOGRAMA SEGUNDA SEMANA - divulgação
Sexta, 23 de abril –
Manha: mostra de vídeos.
Tarde: mostra de vídeos e
ação de Wagner Rossi – INVISIBILIDADE – 15hs
Noite: a partir das 17hs. Marco Paulo Rolla e Ana Luisa Santos – Desfile Coleção Outono-Inverno sala de espera Lounge.
Sábado, 24 de abril -
Manha: mostra de vídeos
Tarde: 14hs. Ação de Nydia Negromonte – CASA DAS FARINHAS
Noite: convocatória: PIC-NIC – a partir das 18hs.
Domingo, 25 da abril -
Tarde: 16hs. Paulo Nazareth – PENSO QUE É SOBRE PEIXES.
18hs. Marco Paulo – MIRRA.
Noite: 19hs. Wagner Rossi- TRILOGIA APOKATASTASIS: flexibilidade.
Terça, 27 de abril –
Manha: mostra de vídeos
Tarde : mostra de vídeos e
ação de Wagner Rossi – LEVITAÇÃO – 15hs.
Noite: PONTO DE ENCONTRO – a confirmar.
Quarta, 28 de abril –
Manha: mostra de vídeos
Tarde: mostra de vídeos e
Marco Paulo Rolla - HOMENS DE PRETO – 16hs.
Noite: FAÇA UMA PERFORMANCE DE 15MINUTOS – de 19hs às 20:30hs. Espaço aberto para improvisações. Agende sua participação pelo telefone 96142664 c/ Wagner.
Quinta, 29 de abril –
Manhã: mostra de vídeos
Tarde: Marco Paulo Rolla – CONCERTO.
Noite: aula de desenho do Marco Paulo Rolla
Wagner Rossi – TELEPATIA.
Paulo Nazareth – a confirmar.
CRONOGRAMA SEGUNDA SEMANA - divulgação
Sexta, 23 de abril –
Manha: mostra de vídeos.
Tarde: mostra de vídeos e
ação de Wagner Rossi – INVISIBILIDADE – 15hs
Noite: a partir das 17hs. Marco Paulo Rolla e Ana Luisa Santos – Desfile Coleção Outono-Inverno sala de espera Lounge.
Sábado, 24 de abril -
Manha: mostra de vídeos
Tarde: 14hs. Ação de Nydia Negromonte – CASA DAS FARINHAS
Noite: convocatória: PIC-NIC – a partir das 18hs.
Domingo, 25 da abril -
Tarde: 16hs. Paulo Nazareth – PENSO QUE É SOBRE PEIXES.
18hs. Marco Paulo – MIRRA.
Noite: 19hs. Wagner Rossi- TRILOGIA APOKATASTASIS: flexibilidade.
Terça, 27 de abril –
Manha: mostra de vídeos
Tarde : mostra de vídeos e
ação de Wagner Rossi – LEVITAÇÃO – 15hs.
Noite: PONTO DE ENCONTRO – a confirmar.
Quarta, 28 de abril –
Manha: mostra de vídeos
Tarde: mostra de vídeos e
Marco Paulo Rolla - HOMENS DE PRETO – 16hs.
Noite: FAÇA UMA PERFORMANCE DE 15MINUTOS – de 19hs às 20:30hs. Espaço aberto para improvisações. Agende sua participação pelo telefone 96142664 c/ Wagner.
Quinta, 29 de abril –
Manhã: mostra de vídeos
Tarde: Marco Paulo Rolla – CONCERTO.
Noite: aula de desenho do Marco Paulo Rolla
Wagner Rossi – TELEPATIA.
Paulo Nazareth – a confirmar.
terça-feira, 13 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM - De 15 de abril a 09 de maio. Galeria Genesco Murta do Palácio das Artes - BH/MG
CRONOGRAMA
Primeira semana da mostra SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM
Quinta, 15 de abril – durante o horário de funcionamento da instituição.
OBRA EM LUGAR ESPECÍFICO
Refeição com o marceneiro.
Serventes: Marco Paulo, Paulo e Wagner.
Sexta, 16 de abril – durante o horário de funcionamento da instituição.
OBRA – Acabamento.
Refeição com os serventes.
Sábado, 17 de abril
Manhã: colocação da grama.
Refeitório com Paulo Nazareth
Tarde: JARDIM DE INVERNO – Juliana Alvarenga /instalação constante até quarta-feira 21 de abril.
Noite: Sopão do Paulo – Paulo Nazareth
Homem Escutando Terra – Marco Paulo Rolla
O CORPOMENTE – Wagner Rossi
Domingo, 18 de abril
Tarde: a partir das 16 hs – Mostra de vídeos e Marco Paulo Rolla em CAMA, MESA e ESCADA.
Noite: NEGÓCIO – Paulo Nazareth.
Terça, 20 abril
Manhã: mostra de vídeos
Refeitório com Paulo Nazareth
Tarde: mostra de vídeos
SONOLÊNCIA - Wagner Rossi.
HOMENS DE PRETO – Marco Paulo Rolla.
Noite: mostra de vídeos e Ponto de Encontro – sessão de filmes (Maya Deren) e bate papo, distribuição de brindes ao final.
Quarta, 21 de abril
Manhã: mostra de vídeos
Refeitório com Paulo Nazareth.
Tarde: mostra de vídeos
Dancieuse Du Palais com Cristiane Marques de Oliveira.
HOMENS DE PRETO – Marco Paulo Rolla.
PENSO QUE É SOBRE PEIXES - Paulo Nazareth.
Noite: MENINA DE ESTIMAÇÃO – Marco Paulo Rolla.
TRILOGIA APOKATASTASIS: sobre posição e velocidade dos corpos – Wagner Rossi.
Quinta, 22 de abril
Manhã: mostra de vídeos
Refeição com Paulo Nazareth.
Tarde: HISTÓRIAS DE AVIÃO - Paulo Nazareth.
Noite: CAMA, MESA e ESCADA – Marco Paulo Rolla.
Primeira semana da mostra SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM
Quinta, 15 de abril – durante o horário de funcionamento da instituição.
OBRA EM LUGAR ESPECÍFICO
Refeição com o marceneiro.
Serventes: Marco Paulo, Paulo e Wagner.
Sexta, 16 de abril – durante o horário de funcionamento da instituição.
OBRA – Acabamento.
Refeição com os serventes.
Sábado, 17 de abril
Manhã: colocação da grama.
Refeitório com Paulo Nazareth
Tarde: JARDIM DE INVERNO – Juliana Alvarenga /instalação constante até quarta-feira 21 de abril.
Noite: Sopão do Paulo – Paulo Nazareth
Homem Escutando Terra – Marco Paulo Rolla
O CORPOMENTE – Wagner Rossi
Domingo, 18 de abril
Tarde: a partir das 16 hs – Mostra de vídeos e Marco Paulo Rolla em CAMA, MESA e ESCADA.
Noite: NEGÓCIO – Paulo Nazareth.
Terça, 20 abril
Manhã: mostra de vídeos
Refeitório com Paulo Nazareth
Tarde: mostra de vídeos
SONOLÊNCIA - Wagner Rossi.
HOMENS DE PRETO – Marco Paulo Rolla.
Noite: mostra de vídeos e Ponto de Encontro – sessão de filmes (Maya Deren) e bate papo, distribuição de brindes ao final.
Quarta, 21 de abril
Manhã: mostra de vídeos
Refeitório com Paulo Nazareth.
Tarde: mostra de vídeos
Dancieuse Du Palais com Cristiane Marques de Oliveira.
HOMENS DE PRETO – Marco Paulo Rolla.
PENSO QUE É SOBRE PEIXES - Paulo Nazareth.
Noite: MENINA DE ESTIMAÇÃO – Marco Paulo Rolla.
TRILOGIA APOKATASTASIS: sobre posição e velocidade dos corpos – Wagner Rossi.
Quinta, 22 de abril
Manhã: mostra de vídeos
Refeição com Paulo Nazareth.
Tarde: HISTÓRIAS DE AVIÃO - Paulo Nazareth.
Noite: CAMA, MESA e ESCADA – Marco Paulo Rolla.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Do Corpo à Terra
Em 17 de abril de 1970, dois eventos paralelos e simultâneos foram inaugurados no Palácio das Artes. Objeto e Participação e Do Corpo à Terra, com curadoria de Frederico Morais, os dois eventos marcaram na história da cidade e da nação um momento crucial de tortura, medo e criatividade excepcional. Diante das manifestações repressivas, próprias do período, os artista participantes desbravaram territórios difíceis, tempos áridos...
Frederico Morais, em texto escrito recentemente e incluído no livro Frederico Morais, relata o acontecimento envolvento os dois eventos e seleciona parte de um ensaio escrito por ele para a revista Vozes, do Rio de Janeiro, citando-o como material capaz de apontar os nortes que definiram as duas mostras.
Cito essa passagem, já que me interessa profundamente sua atualidade.
"Da arte à antiarte, do moderno ao pós-moderno, da arte de vanguarda à contra-arte, a abertura é sempre maior. O horizonte da arte, hoje, é aberto, impreciso. Situações, eventos, rituais ou celebrações - a arte não se distingue mais, nitidamente, da vida e do cotidiano. (...) A vida que bate no seu corpo - eis a arte. O seu ambiente - eis a arte. Os ritmos psicofísicos - eis a arte. A vida intra-uterina - eis a arte. A supra-personalidade - eis a arte. Imaginar - eis a arte. O pneuma - eis a arte. A apropriação de objetos e de áreas - eis a arte. O puro gesto apropriativo de situações humanas ou vivências poéticas - eis a arte."
Diante do momento atual, distinto daquele de 04 décadas atrás mas, ao mesmo tempo, sufocante e castrador tal qual, penso que estimular uma dobra entre esses períodos possa favorecer curas inimagináveis, propensões ao puro ato criativo.
Estamos eu, Marco Paulo Rolla, Paulo Nazareth e Juliana Alvarenga com exposição marcada para 16 de abril de 2010 no Palácio das Artes, sala Genesco Murta.
Dia 17 de abril comemora-se 40 anos da abertura oficial do evento.
Vamos comemorar na SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM....
Aguardo a presença de vocês!!!!
MORAIS, Frederico. Frederico Morais / organizadora: Silvana Seffrin. Rio de janeiro: FUNARTE, 2004. pgs 115 a 123.
Frederico Morais, em texto escrito recentemente e incluído no livro Frederico Morais, relata o acontecimento envolvento os dois eventos e seleciona parte de um ensaio escrito por ele para a revista Vozes, do Rio de Janeiro, citando-o como material capaz de apontar os nortes que definiram as duas mostras.
Cito essa passagem, já que me interessa profundamente sua atualidade.
"Da arte à antiarte, do moderno ao pós-moderno, da arte de vanguarda à contra-arte, a abertura é sempre maior. O horizonte da arte, hoje, é aberto, impreciso. Situações, eventos, rituais ou celebrações - a arte não se distingue mais, nitidamente, da vida e do cotidiano. (...) A vida que bate no seu corpo - eis a arte. O seu ambiente - eis a arte. Os ritmos psicofísicos - eis a arte. A vida intra-uterina - eis a arte. A supra-personalidade - eis a arte. Imaginar - eis a arte. O pneuma - eis a arte. A apropriação de objetos e de áreas - eis a arte. O puro gesto apropriativo de situações humanas ou vivências poéticas - eis a arte."
Diante do momento atual, distinto daquele de 04 décadas atrás mas, ao mesmo tempo, sufocante e castrador tal qual, penso que estimular uma dobra entre esses períodos possa favorecer curas inimagináveis, propensões ao puro ato criativo.
Estamos eu, Marco Paulo Rolla, Paulo Nazareth e Juliana Alvarenga com exposição marcada para 16 de abril de 2010 no Palácio das Artes, sala Genesco Murta.
Dia 17 de abril comemora-se 40 anos da abertura oficial do evento.
Vamos comemorar na SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM....
Aguardo a presença de vocês!!!!
MORAIS, Frederico. Frederico Morais / organizadora: Silvana Seffrin. Rio de janeiro: FUNARTE, 2004. pgs 115 a 123.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
PERPENDICULARap II - PEQUENO DESVIO PARA UMA GRANDE LIBERDADE - 06/02/10 BH/MG

www.perpendicularap.blogspot.com
Venho propondo, diante das configurações contemporâneas, estimular ações experimentais capazes de revigorar recortes temporais/espaciais. O acontecimento, destituído de sua temporalidade seqüencial, transborda no instante como manifestação de vida, potencialidade inventiva, celebração.
Interessa-me, nesse momento, pensar nas pequenas profanações que podem se manifestar no cotidiano. Desvios e deslocamentos físicos e energéticos intentando eventuais explosões daquilo que se pré-configura como estabelecido. Profanar, nesse caso, é trazer uma nova ordem, que a priori é caos total, facilitando outras percepções para o lugar, o tempo/espaço, a macro e micro-política, a troca, o agenciamento, a colaboração, a experiência, a vida. A arte, como elemento construtor dessas proposições, deixa de ser apenas disciplina e mercadoria, abrangendo reflexões estendidas a campos variados do saber. Por se constituir como elemento estruturador de práticas de vida, sua extensão ultrapassa campos específicos...
veja o texto completo no blog da PERPENDICULARap....
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM

De 15 de abril a 09 de maio, eu, Juliana Alvarenga, Marco Paulo Rolla e Paulo Nazareth apresentaremos, no Palácio das Artes, a mostra SALA DE ESPERA PARA LUGAR NENHUM.
Iniciamos o blog, com o mesmo nome, com a intenção de proporcionar um lugar capaz divulgar o projeto, acolher e instigar participações de artistas, grupos, cidadãos. Sua existência antecipada condiz com a real valorização do processo e da colaborção participativa como elementos fundamentais dessa exposição.
Como a mostra será mutável, já que usaremos a galeria como lugar de experimentação e atelier, não haverá, nesse processo, dias melhores ou piores para nos visitar. Alguns dias serão mais energéticos, outros menos, como qualquer dia da vida de cada um. Estamos construindo um suposto cronograma de ações para que possamos nos orientar e orientar a participação e visitação.
Breve teremos mais informações...
http://saladeesperaparalugarnenhum.blogspot.com
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO - momento da defesa/leitura...
"O corpo como acontecimento me parece capaz de assimilar tais superfícies - da tela ou do papel - transformando-as em pele. E nesse plano sensível, poroso, limpar os clichês não apenas destroça o visível, mas faz do invisível, do interno e subjetivo que nos constitui algo perfurado por vulvas multiplicadas de onde jorram afecções possíveis."
sábado, 19 de dezembro de 2009
MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO
Sugestão de pesquisa, reflexão e prática por Patrícia Franca
"Eu te faço uma pergunta para a continuidade: como construir com a imagem do vídeo e com o real, não trabalhando somente o ser, mas a confiança no real (para sair um pouco da ontologia)?"
Referência por Mabe Bethônico

Referências por Christine Greiner

Nota de rodapé de "Sofia para Wagner"

de "Sofia para Wagner"






"Eu te faço uma pergunta para a continuidade: como construir com a imagem do vídeo e com o real, não trabalhando somente o ser, mas a confiança no real (para sair um pouco da ontologia)?"
Referência por Mabe Bethônico

Referências por Christine Greiner

Nota de rodapé de "Sofia para Wagner"

de "Sofia para Wagner"






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