domingo, 23 de agosto de 2009

I Festival de Performance de Belo Horizonte

COMO PREPARAR UM PUDIM SONORO ENQUANTO OUÇO O ANDRÉ, EM FRANCÊS, FALANDO SOBRE ARTAUD

Sábado, dia 22/08/09, como resultado da oficina Performance e Som, realizada por Luca Forcucci, apresentei a performance Como preparar um pudim sonoro enquanto ouço o André, em francês, falando sobre Artaud.

Durante a ação, quebro ovos dentro de uma vasilha de vidro, batendo-os até se transformarem em "neve". Ao mesmo tempo, ouvindo a leitura em francês do texto sobre Artaud em um fone de ouvido, repito-o, mesmo não sabendo falar essa língua.

Duração: 30 minutos
Local: Galpão Cine Horto

Agradecimentos: Ao André Lage, por permitir o uso do texto de sua autoria - Eloqüência Artaudnow - inserido no Folhetim Idéias de Fresta (Dudude Herrmann).
Ao Bruno Soarelli, pelas fotos.
Ao Cris Menezes, pela colaboração e apoio.
e Dunya Azevedo, pela leitura do texto gravado.







































terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mostra de videoperformances - MIP2





Durante a MIP2, participei da mostra de videoperformances. Com curadoria do CEIA, os vídeos PE#001 e Quero que cuspam leite em mim... foram exibidos tanto no Espaço 104 quanto no Museu Inimá de Paula, incluídos na programação oficial do evento. As duas videoperformances podem ser vistas nesse blog.

Sobre PE#001, escrevi:

Se o trabalho é um acontecimento possível somente a partir do uso do vídeo, sua especificidade ultrapassa o mero registro de ações – como ocorre em registros de performances - transformando-o em um trabalho necessariamente acoplado ao dispositivo que o atualiza. Se o corpo está invertido a partir da inversão da imagem captada pelo dispositivo, sua veracidade e estranhamento favorecem uma percepção que diverge da percepção fotográfica, já que aqui o corpo não é estático e a ação se prolonga no espaço/tempo. Assim, não uma suspensão do acontecimento, como é o caso da fotografia, mas uma seqüência continuada do acontecimento é o que prevalece, ampliando, nessa ótica, qualquer sensação de instantaneidade própria do fotográfico.
Se no processo fotográfico meu interesse é o de, exatamente, criar uma pausa na sucessão temporal, permitindo relações entre a ação do corpo e sua fixação, no vídeo essa questão se mantém e, ao mesmo tempo, se altera. Mantém-se porque busco, mesmo na imagem em movimento, uma pausa advinda da repetição. É como um momento de silêncio, uma abstenção do devir, um corte na interminável seqüência temporal. Nessa insistência, que persiste durante um período e prolonga-se quando o trabalho é apresentado em looping, o movimento não se apresenta como ação contrária às pausas, mas vê-se acentuada a pausa através da relação que se estabelece entre instâncias contraditórias. Posso dizer que são pausas e congelamentos, mesmo que manifestas temporalmente. Ao mesmo tempo, o movimento existe e é perceptível. Sua duração temporal estabelece a característica própria do vídeo.
De qualquer forma, entre o movimento e a pausa, entre o tempo e sua desaceleração é que o trabalho realiza o paradoxo vinculado à intemporalidade do tempo, ou sua suspensão. Se a repetição é a força propulsora dessa percepção, a característica de rito imprimida a esta ação corporal é a outra face constitutiva da digressão da imagem, capaz de levar-nos a encarnar o silêncio nessas pausas em movimento.
Assim, o intemporal manifesta-se tempo exatamente durante o acontecimento, que o retira da imaterialidade tornando-o exprimível enquanto manifestação do signo que o atualiza. Ao mesmo tempo, tornado matéria de percepção, o tempo volta a ser percebido como algo imaterial, suspenso em sua ausência de sentido.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MIP2 - II Manifestação Internacional de Performance # Workshop / Nezaket Ekici

Participei do workshop com a artista Nezaket Ekici. O workshop aconteceu entre 27 e 31 de julho, inserido na programação da MIP2. Dia 31, apresentei a performance/ação TERRITÓRIO FLUTUANTE.

Pensar o espaço da cidade como lugar da aventura, do onírico, favorecendo trocas e encontros com o outro e consigo mesmo é o que impulsiona a performance Território Flutuante. No fluxo incessante de veículos e pessoas, em ritmo frenético e ritmado, a ação acontece em um sinal de trânsito - especificamente na faixa de pedestres. Nas pausas, durante o sinal vermelho para o trânsito, pessoas se posicionam sentadas sobre cadeiras. O olhar dessas pessoas busca o olhar do outro – do motorista, do passageiro, daquele que a sua frente aguarda o sinal verde para seguir seu destino.
Na busca de sentido diante da aceleração mecânica e contínua no espaço público, os instantes advindos dessa ação são pausas e desacelerações preciosas por sua fugacidade e plenitude.













































































Rua da Bahia esquina com Guaicurus/ BH-MG
fotos: Bráulio

domingo, 2 de agosto de 2009

MIP2 - II Manifestação Internacional de Performance

Acontece em Belo Horizonte a MIP2. No evento estão incluídos workshops, apresentações ao vivo, palestras e mostra de videoperformances.

Saiba mais sobre o dia a dia do evento e a programação no site www.ceia.art.br/mip


3 a 9 de agosto de 2009
Diversos espaços de Belo Horizonte, Brasil
Entrada Franca


quarta-feira, 8 de julho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

PAUSA - MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO

Ao iniciar uma pesquisa que envolve ações corporais, mesmo que muitas delas desdobradas em processos fotográficos e em vídeo, o tempo como presença indistinta e sem corpo, capaz de se atualizar a partir destas mesmas ações, é um elemento fundamental na percepção e construção dos trabalhos advindos daí. Apesar da facilidade em enumerar ações de forma cronológica, evidenciando um passado que determina fatores presentes e que são da mesma forma, passado como causa de um futuro imaginário, o transcorrer ininterrupto do tempo só é possível de se verificar através de uma série de acontecimentos que o preenche.
Anne Cauquelin, no livro Freqüentar os Incorporais, nos apresenta a estreita relação entre o pensamento filosófico estóico e a arte contemporânea, especificamente naquilo que os estóicos denominavam incorporal. E é através do pensamento sobre o incorporal estóico que podemos nos ater às questões próprias do pensamento atual em arte. Vazio, lugar, tempo e exprimível são discutidos enquanto fios condutores reflexivos capazes de nos situar no âmbito da produção contemporânea. E não poderia ser mais adequado situar tais questões dentro do assunto desta pesquisa de mestrado.
É Cauquelin quem diz que:
“A orientação linear não tem espaço de ser no tempo incorporal. Ele ignora a sucessão dos fatos passados, assim como não prejulga - dando-lhes uma forma a priori – os fatos que o preencherão. O que existe é apenas o presente, o momento – ou o instante, como se queira – que dá um corpo ao atemporal e o faz vir a ser tempo.”
Os acontecimentos seriam, dessa forma, preenchimentos para o atemporal. Estes preenchimentos atualizam momentos que se apresentam como linearidades temporais. O presente se desfaz imediatamente após sua apreensão, após o acontecimento que o preenche, abrindo-se ao nada que convida novos acontecimentos.
O corpo como acontecimento é exatamente esta capacidade de fazer do atemporal um momento de tempo presente. É ele que permite sucessões de sentidos entre acontecimentos passados, ligando-os ao presente e desdobrando-se em futuro. De fato, as relações entre passado, presente, futuro não são da natureza do acontecimento e sim dos sentidos que os preenche. Somos nós que fazemos o malabarismo mental de elaborar sucessões lineares aos fatos.
Tudo isso é bem obvio, e se repito ou afirmo sua existência, é exatamente buscando situar meu corpo dentro desse acontecimento, tornando-o a própria imagem do tempo, sua presença e vitalidade. Um corpo que é tempo atravessa tanto uma realidade da carne, que o constitui, como também aquilo que suspende as ações retirando-as do contexto visível e que pode, nesse caso, ser chamado de incorporal. O incorporal então seria o acontecimento enquanto relação entre corpos, uma presença invisível de tempo, que sendo atemporal, acolhe a ação presente enquanto matéria.
Penso que, para acentuar tal característica de presença, em que o corpo é imanência vaporosa em constante construção e caos, a ausência aparente de sentidos e a precariedade das forças lineares de ações previsíveis constituem elementos capazes de desestabilizar nossa percepção cognitiva linearizante. O corpo como acontecimento desloca qualquer possibilidade imediata de representação, interpretação e julgamento, situando-se no limiar entre presença e seu desdobramento temporal/espacial. Diante das imensas possibilidades que nos estimula a agir, o presente é o fato real em sua magnitude, indistinto e desterritorializado de qualquer conexão entre passado e futuro. Os sentidos advindos dessa presença são estímulos para posteriores ações, ilimitadas e finitas, mas sempre abertas ao devir. Estímulos sensoriais e perceptivos para deslocamentos existenciais, contribuindo ativamente na construção de mundos incessantes, também ilimitados e finitos.
Meu corpo como acontecimento é o advento das forças físicas visíveis em consonância a estímulos invisíveis, trocas sensíveis, afetações recíprocas, imanência e incorporalidade dos seres efêmeros e sensíveis que habitam o vazio e que não podem ser vistos pelo olho-do-visível, o olho retiniano.

CAUQUELIN, Anne. Freqüentar os incorporais: contribuição a uma teoria da arte contemporânea . São Paulo: Martins, 2008, pag. 94.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

QUERO QUE CUSPAM LEITE EM MIM...

QUERO QUE CUSPAM LEITE EM MIM..... videoperformance em processo de edição.

performers: Dani de Moura, Marco Antônio e eu



Aqui, alguns frames do vídeo.







quarta-feira, 13 de maio de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

BASIUM OCCIDENTALE - Beijo Ocidental

BASIUM OCCIDENTALE é o nome do trabalho que desenvolvo para os 10 banheiros do evento Arte no Banheiro - Comida di Buteco 2009.

Diante de um convite para participar do evento este ano, desenvolvo o trabalho como desdobramento de uma proposição que fiz a um casal de amigos em viagem pela Europa.

Beto e Rosana, o casal de amigos, estão morando em Barcelona por um ano. Em maio eles retornam à BH. Ano passado, por e-mail, convidei-os a realizarem ações durante as viagens que fizessem pela Europa. A cada local "cartão postal" que visitassem, dariam um beijo registrado por foto. Na imagem, deveria destacar-se tanto a ação dos dois quanto a paisagem-arquitetura-obra local.
Desde então, venho recebendo imagens deles nesta situação.

Se a princípio o trabalho acontece nessa dobra entre a ação do beijo, o registro e o envio para mim, posteriormente, passei a questionar possíveis relações entre esta ação e a força cultural e contemplativa das imagens. Tais imagens, exacerbação da cultura europeia e de sua presença, desencadeando todo um processo histórico e artístico centrado na hegemonia ocidental, são manifestações de nossa identidade e idolatria com o que é estrangeiro. Ser ocidental é estar apto a comungar com a grandiosidade secular manifesta nas obras públicas das principais cidades da Europa. E é isso que o beijo faz... Ele tanto reverencia quanto, sutilmente, questiona ironicamente tal presença.

A partir dessas imagens, e voltando ao BASIUM OCCIDENTALE, percebi que a forma de se beijar do casal é manifestação corporal condizente com a cultura da qual ela é originária. Pesquisando na internet o assunto beijo, me vi diante de uma série de informações - muitas delas inúteis - sobre a relação entre beijo e cultura. Escolhi algumas delas e as inseri nas imagens.
Dez fotos diferentes, dez textos diferentes.

As fotos enviadas foram feitas pelos dois filhos do casal - O André e o Victor.

Com o intuito de trabalhar com as fotografias, convidei o artista e designer gráfico Sérgio Guerra para desenvolver uma identidade única para as fotos. Ficou decidido, após algumas sugestões, que os textos inseridos seriam manuscritos e as imagens apresentariam tons avermelhados.

Assim, o trabalho final que já pode ser visto nos banheiros dos 05 bares, é o resultado de um processo participativo e colaborativo.

Agradeço ao Beto, Rosana, André, Victor e Sérgio a boa vontade e confiança em participar desse projeto.


Para ver as fotos nos banheiros, visite os bares:

Aconchego da Floresta - Floreta
Churrascaria do Itamar - Esplanada
Bar do Primo - Lourdes
Bar Sabor do Nordeste - Santo Antônio
Bar Local - São Pedro

Maires informações sobre o evento

www.comidadibuteco.com.br

















































segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

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sábado, 13 de dezembro de 2008

DISSEMINAÇÂO


Segue flyer do Disseminação III. Sábado, dia 13 de dezembro de 2008.
Participo com uma videoinstalação....

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Série Horizontalidade - Wagner Rossi Campos

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A Série Horizontalidade é desdobramento da Série Ponto de Equilíbrio. Nessas imagens - aqui apresento uma delas - meu corpo horizontal e em suspensão dialoga com a evidente verticalidade dos corpos sociais.

Vito Acconci - 1970



Three Relationship Studies - vídeo em super8

domingo, 26 de outubro de 2008

PAUSA

Sou um corpo repleto de contradições, embebido em infinitas citações, instruções, modos de uso, agenciamentos. Mesmo assim, sou ainda um feixe de luz que, em evidente descompasso, reflete sua intensidade e calor nos diversos contatos, efêmeros e fugazes, que insistentemente explodem diante de mim. Minha sombra, delimitando um volume denso e anteparo para outra luminosidade, impele o observador e qualquer ente sensível a dizer com certeza: A luz é externa! Quanta ignorância, já que para se concluir tal fato é necessária outra intensidade de luz capaz de se fartar de razão.

Similarmente, somos insistentemente bombardeados pelo domínio limitado da arte, como forma e produto, e inseridos em um mercado competitivo que orienta e define valores capazes de silenciar forças intensas, transformando certos padrões artísticos e estéticos em verdadeiros enunciados vanguardistas. Dessa condição, nada mais óbvio do que concluirmos também que, diante da arte instituída, nada resta a fazer, já que somos apenas uma sombra, um rastro perante sua magnitude.

Novamente, teimo em insistir na ausência de sensibilidade para o reconhecimento da força e intensidade do corpo, de suas errâncias, desejos, diferenças. Ao nos permitir o abalo pela eficácia do mercado da arte, aliado à complexa rede de comunicação midiática – fábrica glamurizada de prazer e desejo consumista – somos forçados a aceitar um espaço que nega a evidencia das nossas particularidades e capacidades criativas. Ondas e ondas de informação bombardeiam intensamente nossos sentidos e percepções, transformando a vitalidade da existência em um depósito de detritos aguardando solicitação de uso. Perdidos diante de um desejo de adequação, mesmo que aparentemente transgressor, o corpo – seu corpo/meu corpo/nosso corpo – sente-se desconectado daquilo que é essencial para o domínio de si. A arte, manifestação da existência e de sua vitalidade, que processual e experimental definem diferenças múltiplas, não condiz com a restrita capacidade de absorção do mercado.

Opto, nesse momento, por perceber a grandiosidade das idéias, experiências e sensibilidades de um número diverso de artistas e não artistas que, no fluxo caótico da existência, desejam intensamente dizer o que ainda deve ser dito. Dessas presenças, o que fica é a imensurável relação entre a vida do artista e sua obra, uma determinando a existência da outra, alimentando-a, transformando-a, intensificando o contato com o mundo e sua face trágica.


wagner rossi campos

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

imagens da instalação RE/AGente - mostra [ ]e tal...