terça-feira, 22 de dezembro de 2009

MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO - momento da defesa/leitura...

video

"O corpo como acontecimento me parece capaz de assimilar tais superfícies - da tela ou do papel - transformando-as em pele. E nesse plano sensível, poroso, limpar os clichês não apenas destroça o visível, mas faz do invisível, do interno e subjetivo que nos constitui algo perfurado por vulvas multiplicadas de onde jorram afecções possíveis."

sábado, 19 de dezembro de 2009

MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO

Sugestão de pesquisa, reflexão e prática por Patrícia Franca

"Eu te faço uma pergunta para a continuidade: como construir com a imagem do vídeo e com o real, não trabalhando somente o ser, mas a confiança no real (para sair um pouco da ontologia)?"



Referência por Mabe Bethônico







Referências por Christine Greiner







Nota de rodapé de "Sofia para Wagner"








de "Sofia para Wagner"











quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO




MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO - ação como defesa de dissertação.

Dia 14 de dezembro, a partir das 14 hs., na Galeria de Arte da Escola de Belas Artes - EBA/UFMG.
Wagner Rossi

terça-feira, 24 de novembro de 2009

MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO



“Meu corpo como acontecimento é o advento das forças físicas visíveis em consonância a estímulos invisíveis, trocas sensíveis, afetações recíprocas, imanência e incorporalidade dos seres efêmeros e sensíveis que habitam o vazio e que não podem ser vistos pelo olho-do-visível, o olho retiniano.”
Wagner Rossi


MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO, resultado de uma pesquisa de 03 anos, agora é apresentado na Galeria de Arte da EBA-UFMG.
Como banca de defesa de dissertação, o evento conta com a participação de Christine Greiner, Mabe Bethônico e Patricia Franca-Huchet.
Participação especial de Paola Rettore performando SOFIA, NOTA DE RODAPÉ.



SOFIA, NOTA DE RODAPÉ

Concepção, argumento e performer: Paola Rettore
Criação e confecção do figurino: Marciano Mansur
Papel reciclado: Frente e Verso Encadernações
Fotografia: Eugenio Savio
Adereços (doação): Marcelo Kraiser e Liliza Mendes
Prdução: Vagabundagem Dance Uncia

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O que pode ser dito... PERPENDICULARMUSEU

Venho acompanhando os comentários e discussões em torno do acontecimento PERPENDICULAR – ações para museu. Muito me agrada a forma direta e madura de crítica que, independente dos meios convencionais de comunicação, procura situar questões pertinentes a tais manifestações artísticas. De qualquer forma, tais comentários são incapazes, ainda, de perceberem camadas mais profundas de questionamento e jogo presentes.
Buscar situar as ações dentro de categorias fechadas, disciplinas isoladas, técnicas pré-escritas, soa como uma necessidade de classificação equivocada, já que o projeto pretende ser mais que isso, exigindo reflexões que superem a aparente ingenuidade demonstrada.

PERPENDICULAR é, até agora, uma iniciativa independente, sem fins lucrativos e sem apoio financeiro, capaz de, por isso mesmo, ser um acontecimento efêmero e mutável, objetivando exatamente reflexões sobre onde estamos e para onde iremos nesse campo rico e ao mesmo tempo gasto chamado arte.

Se o diálogo com o Museu Inimá de Paula, a princípio, seja o mote dessas discussões, pois seu apoio institucional compromete a eventual face transgressora das intervenções; esse jogo, desmascarado, mas nesse caso não concretizado, provoca uma sensação desconfortável e sem suporte lógico. Perversa, já que falha, a suposta parceria reforça o que se vê como lugar comum, desvalorizando o que já é desvalorizado. Afinal, agimos fora e não dentro do museu!

Enfim, o que o museu da rua da bahia tem a ver com isso? Absolutamente nada! PERPENDICULAR não está vinculada a essa instituição e, de forma alguma, pretendeu ser conivente com as opiniões e decisões internas do museu. De qualquer forma, os afetos existem na forma de trocas, colaborações, parcerias, definindo exatamente o que pretende o projeto perpendicular.
Como divulgado junto ao flyer desse evento:
PERPENDICULAR vem se configurando como um projeto de ações artísticas que tem como intenção intervir no espaço instituído da arte e, também, ativar redes colaborativas de expressão que ampliem as relações entre instâncias fechadas.

Se nesse momento, PERPENDICULAR se projetou como evento de intervenções urbanas, isso não define essa categoria de manifestação como prioridade do projeto. No evento anterior, PERPENDICULAR – ações para apartamento - setembro de 2009 na minha casa - as ações aconteceram concomitantes à abertura de uma exposição na galeria de arte da Copasa, situada a 100m de onde moro.
As performances, nessa data, basicamente se restringiram ao espaço fechado do apartamento, que, por um período de tempo, foi transformado em lugar público. Não agimos com prévia autorização da galeria de arte da Copasa, que nem soube o que ocorria ali, mas, é verdade, contamos com a participação e colaboração de uma artista que expunha na galeria naquela ocasião.

Assim, me ocorre, que os comentários ainda não conseguiram atingir o cerne da questão que, a meu ver, situa-se exatamente nas possibilidades de troca capazes de fluidificar os lugares precisos e egos carrancudos. A energia criativa, aqui, não é limite, mas alternativa para encontros alegres. Como diz Daniel Lins:


“O homem como sujeito desejante é levado para algo que o torna alegre. Trata-se de perceber uma ética e estética da afetividade e da alegria que, ao contrário da passividade negativa, é força revolucionária, é amor à vida, e vida como uma bela arte. A ética da alegria e dos afectos* é fundamentalmente exultante e busca os meios para satisfazer nosso desejo afirmando ao máximo os bons encontros e a aptidão de cada sujeito a se deixar ser afetado.”**






* (Afecto, em Deleuze, ao contrário do afeto, é uma potência totalmente afirmativa. O afecto não faz referência ao trauma ou a uma experiência originária de perda, segundo a interpretação psicanalítica. Afecto é experimentação, e não objeto de interpretação. O afecto é não-pessoal. Nem pulsão, nem objeto perdido, mas devir não humano do homem. Cf. Daniel Lins, Deleuze, juízo e verdade, São Paulo, Annablume, 2º- edição, 2005.)

** LINS, Daniel. A alegria como força revolucionária. In: Fazendo rizoma, FURTADO, Beatriz; LINS, Daniel (orgs.). São Paulo, hedra, 2008. pg. 45.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PERPENDICULAR - ações para museu. 28 de outubro de 2009







PERPENDICULAR vem se configurando como um projeto de ações artísticas que tem como intenção intervir no espaço instituído da arte e, também, ativar redes colaborativas de expressão que ampliem as relações entre instâncias fechadas.
PERPENDICULAR - ações para museu, acontecerá nos arredores do Museu Inimá de Paula.
Potencializando o espaço aberto que circunda o Museu e instaurando novas paisagens, o evento terá duração de 3 horas. No momento, o Museu Inimá de Paula apresenta a exposição de Vik Muniz e recebe em residência o artista francês Stéphane Vigny, que fará uma exposição individual no Museu dentro do Ano da França no Brasil.

As ações acontecerão na Rua da Bahia - entre Alvares Cabral e Augusto de Lima. Avenida Alvares Cabral - entre Bahia e Augusto de Lima e arredores - CENTRO de BH. 28/10/09

http://maps.google.com.br/maps?ie=UTF8&ll=-19.925586,-43.936896&spn=0.002093,0.003439&z=18

Para maiores informações acesse: http://perpendicularmuseu.blogspot.com


Participe, contribua, divulgue, freqüente!!!!!

sábado, 17 de outubro de 2009

FRÁGIL CONTATO - Wagner Rossi

A performance Frágil Contato aconteceu durante o evento PERPENDICULAR - ações para apartamento.

Veja mais em: http://perpendicularap.blogspot.com






foto: Lísia Maria





foto: Marco Paulo Rolla

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PERPENDICULAR - Ações para apartamento



PERPENDICULAR é em Belo Horizonte.
PERPENDICULAR é uma mostra de ações para apartamento.
PERPENDICULAR dialoga com o espaço instituído da arte.
PERPENDICULAR aconteçe durante a abertura da exposição suspensa/suspensos, na galeria de arte da copasa.
PERPENDICULAR é um projeto colaborativo que conta com a participaçõa de artistas de BH.
PERPENDICULAR é um desejo de criar espaços alternativos de expressão artística.

domingo, 23 de agosto de 2009

I Festival de Performance de Belo Horizonte

COMO PREPARAR UM PUDIM SONORO ENQUANTO OUÇO O ANDRÉ, EM FRANCÊS, FALANDO SOBRE ARTAUD

Sábado, dia 22/08/09, como resultado da oficina Performance e Som, realizada por Luca Forcucci, apresentei a performance Como preparar um pudim sonoro enquanto ouço o André, em francês, falando sobre Artaud.

Durante a ação, quebro ovos dentro de uma vasilha de vidro, batendo-os até se transformarem em "neve". Ao mesmo tempo, ouvindo a leitura em francês do texto sobre Artaud em um fone de ouvido, repito-o, mesmo não sabendo falar essa língua.

Duração: 30 minutos
Local: Galpão Cine Horto

Agradecimentos: Ao André Lage, por permitir o uso do texto de sua autoria - Eloqüência Artaudnow - inserido no Folhetim Idéias de Fresta (Dudude Herrmann).
Ao Bruno Soarelli, pelas fotos.
Ao Cris Menezes, pela colaboração e apoio.
e Dunya Azevedo, pela leitura do texto gravado.







































terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mostra de videoperformances - MIP2





Durante a MIP2, participei da mostra de videoperformances. Com curadoria do CEIA, os vídeos PE#001 e Quero que cuspam leite em mim... foram exibidos tanto no Espaço 104 quanto no Museu Inimá de Paula, incluídos na programação oficial do evento. As duas videoperformances podem ser vistas nesse blog.

Sobre PE#001, escrevi:

Se o trabalho é um acontecimento possível somente a partir do uso do vídeo, sua especificidade ultrapassa o mero registro de ações – como ocorre em registros de performances - transformando-o em um trabalho necessariamente acoplado ao dispositivo que o atualiza. Se o corpo está invertido a partir da inversão da imagem captada pelo dispositivo, sua veracidade e estranhamento favorecem uma percepção que diverge da percepção fotográfica, já que aqui o corpo não é estático e a ação se prolonga no espaço/tempo. Assim, não uma suspensão do acontecimento, como é o caso da fotografia, mas uma seqüência continuada do acontecimento é o que prevalece, ampliando, nessa ótica, qualquer sensação de instantaneidade própria do fotográfico.
Se no processo fotográfico meu interesse é o de, exatamente, criar uma pausa na sucessão temporal, permitindo relações entre a ação do corpo e sua fixação, no vídeo essa questão se mantém e, ao mesmo tempo, se altera. Mantém-se porque busco, mesmo na imagem em movimento, uma pausa advinda da repetição. É como um momento de silêncio, uma abstenção do devir, um corte na interminável seqüência temporal. Nessa insistência, que persiste durante um período e prolonga-se quando o trabalho é apresentado em looping, o movimento não se apresenta como ação contrária às pausas, mas vê-se acentuada a pausa através da relação que se estabelece entre instâncias contraditórias. Posso dizer que são pausas e congelamentos, mesmo que manifestas temporalmente. Ao mesmo tempo, o movimento existe e é perceptível. Sua duração temporal estabelece a característica própria do vídeo.
De qualquer forma, entre o movimento e a pausa, entre o tempo e sua desaceleração é que o trabalho realiza o paradoxo vinculado à intemporalidade do tempo, ou sua suspensão. Se a repetição é a força propulsora dessa percepção, a característica de rito imprimida a esta ação corporal é a outra face constitutiva da digressão da imagem, capaz de levar-nos a encarnar o silêncio nessas pausas em movimento.
Assim, o intemporal manifesta-se tempo exatamente durante o acontecimento, que o retira da imaterialidade tornando-o exprimível enquanto manifestação do signo que o atualiza. Ao mesmo tempo, tornado matéria de percepção, o tempo volta a ser percebido como algo imaterial, suspenso em sua ausência de sentido.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MIP2 - II Manifestação Internacional de Performance # Workshop / Nezaket Ekici

Participei do workshop com a artista Nezaket Ekici. O workshop aconteceu entre 27 e 31 de julho, inserido na programação da MIP2. Dia 31, apresentei a performance/ação TERRITÓRIO FLUTUANTE.

Pensar o espaço da cidade como lugar da aventura, do onírico, favorecendo trocas e encontros com o outro e consigo mesmo é o que impulsiona a performance Território Flutuante. No fluxo incessante de veículos e pessoas, em ritmo frenético e ritmado, a ação acontece em um sinal de trânsito - especificamente na faixa de pedestres. Nas pausas, durante o sinal vermelho para o trânsito, pessoas se posicionam sentadas sobre cadeiras. O olhar dessas pessoas busca o olhar do outro – do motorista, do passageiro, daquele que a sua frente aguarda o sinal verde para seguir seu destino.
Na busca de sentido diante da aceleração mecânica e contínua no espaço público, os instantes advindos dessa ação são pausas e desacelerações preciosas por sua fugacidade e plenitude.













































































Rua da Bahia esquina com Guaicurus/ BH-MG
fotos: Bráulio

domingo, 2 de agosto de 2009

MIP2 - II Manifestação Internacional de Performance

Acontece em Belo Horizonte a MIP2. No evento estão incluídos workshops, apresentações ao vivo, palestras e mostra de videoperformances.

Saiba mais sobre o dia a dia do evento e a programação no site www.ceia.art.br/mip


3 a 9 de agosto de 2009
Diversos espaços de Belo Horizonte, Brasil
Entrada Franca


terça-feira, 16 de junho de 2009

PAUSA - MEU CORPO É UM ACONTECIMENTO

Ao iniciar uma pesquisa que envolve ações corporais, mesmo que muitas delas desdobradas em processos fotográficos e em vídeo, o tempo como presença indistinta e sem corpo, capaz de se atualizar a partir destas mesmas ações, é um elemento fundamental na percepção e construção dos trabalhos advindos daí. Apesar da facilidade em enumerar ações de forma cronológica, evidenciando um passado que determina fatores presentes e que são da mesma forma, passado como causa de um futuro imaginário, o transcorrer ininterrupto do tempo só é possível de se verificar através de uma série de acontecimentos que o preenche.
Anne Cauquelin, no livro Freqüentar os Incorporais, nos apresenta a estreita relação entre o pensamento filosófico estóico e a arte contemporânea, especificamente naquilo que os estóicos denominavam incorporal. E é através do pensamento sobre o incorporal estóico que podemos nos ater às questões próprias do pensamento atual em arte. Vazio, lugar, tempo e exprimível são discutidos enquanto fios condutores reflexivos capazes de nos situar no âmbito da produção contemporânea. E não poderia ser mais adequado situar tais questões dentro do assunto desta pesquisa de mestrado.
É Cauquelin quem diz que:
“A orientação linear não tem espaço de ser no tempo incorporal. Ele ignora a sucessão dos fatos passados, assim como não prejulga - dando-lhes uma forma a priori – os fatos que o preencherão. O que existe é apenas o presente, o momento – ou o instante, como se queira – que dá um corpo ao atemporal e o faz vir a ser tempo.”
Os acontecimentos seriam, dessa forma, preenchimentos para o atemporal. Estes preenchimentos atualizam momentos que se apresentam como linearidades temporais. O presente se desfaz imediatamente após sua apreensão, após o acontecimento que o preenche, abrindo-se ao nada que convida novos acontecimentos.
O corpo como acontecimento é exatamente esta capacidade de fazer do atemporal um momento de tempo presente. É ele que permite sucessões de sentidos entre acontecimentos passados, ligando-os ao presente e desdobrando-se em futuro. De fato, as relações entre passado, presente, futuro não são da natureza do acontecimento e sim dos sentidos que os preenche. Somos nós que fazemos o malabarismo mental de elaborar sucessões lineares aos fatos.
Tudo isso é bem obvio, e se repito ou afirmo sua existência, é exatamente buscando situar meu corpo dentro desse acontecimento, tornando-o a própria imagem do tempo, sua presença e vitalidade. Um corpo que é tempo atravessa tanto uma realidade da carne, que o constitui, como também aquilo que suspende as ações retirando-as do contexto visível e que pode, nesse caso, ser chamado de incorporal. O incorporal então seria o acontecimento enquanto relação entre corpos, uma presença invisível de tempo, que sendo atemporal, acolhe a ação presente enquanto matéria.
Penso que, para acentuar tal característica de presença, em que o corpo é imanência vaporosa em constante construção e caos, a ausência aparente de sentidos e a precariedade das forças lineares de ações previsíveis constituem elementos capazes de desestabilizar nossa percepção cognitiva linearizante. O corpo como acontecimento desloca qualquer possibilidade imediata de representação, interpretação e julgamento, situando-se no limiar entre presença e seu desdobramento temporal/espacial. Diante das imensas possibilidades que nos estimula a agir, o presente é o fato real em sua magnitude, indistinto e desterritorializado de qualquer conexão entre passado e futuro. Os sentidos advindos dessa presença são estímulos para posteriores ações, ilimitadas e finitas, mas sempre abertas ao devir. Estímulos sensoriais e perceptivos para deslocamentos existenciais, contribuindo ativamente na construção de mundos incessantes, também ilimitados e finitos.
Meu corpo como acontecimento é o advento das forças físicas visíveis em consonância a estímulos invisíveis, trocas sensíveis, afetações recíprocas, imanência e incorporalidade dos seres efêmeros e sensíveis que habitam o vazio e que não podem ser vistos pelo olho-do-visível, o olho retiniano.

CAUQUELIN, Anne. Freqüentar os incorporais: contribuição a uma teoria da arte contemporânea . São Paulo: Martins, 2008, pag. 94.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

QUERO QUE CUSPAM LEITE EM MIM...

QUERO QUE CUSPAM LEITE EM MIM..... videoperformance em processo de edição.

performers: Dani de Moura, Marco Antônio e eu



Aqui, alguns frames do vídeo.







quarta-feira, 13 de maio de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

BASIUM OCCIDENTALE - Beijo Ocidental

BASIUM OCCIDENTALE é o nome do trabalho que desenvolvo para os 10 banheiros do evento Arte no Banheiro - Comida di Buteco 2009.

Diante de um convite para participar do evento este ano, desenvolvo o trabalho como desdobramento de uma proposição que fiz a um casal de amigos em viagem pela Europa.

Beto e Rosana, o casal de amigos, estão morando em Barcelona por um ano. Em maio eles retornam à BH. Ano passado, por e-mail, convidei-os a realizarem ações durante as viagens que fizessem pela Europa. A cada local "cartão postal" que visitassem, dariam um beijo registrado por foto. Na imagem, deveria destacar-se tanto a ação dos dois quanto a paisagem-arquitetura-obra local.
Desde então, venho recebendo imagens deles nesta situação.

Se a princípio o trabalho acontece nessa dobra entre a ação do beijo, o registro e o envio para mim, posteriormente, passei a questionar possíveis relações entre esta ação e a força cultural e contemplativa das imagens. Tais imagens, exacerbação da cultura europeia e de sua presença, desencadeando todo um processo histórico e artístico centrado na hegemonia ocidental, são manifestações de nossa identidade e idolatria com o que é estrangeiro. Ser ocidental é estar apto a comungar com a grandiosidade secular manifesta nas obras públicas das principais cidades da Europa. E é isso que o beijo faz... Ele tanto reverencia quanto, sutilmente, questiona ironicamente tal presença.

A partir dessas imagens, e voltando ao BASIUM OCCIDENTALE, percebi que a forma de se beijar do casal é manifestação corporal condizente com a cultura da qual ela é originária. Pesquisando na internet o assunto beijo, me vi diante de uma série de informações - muitas delas inúteis - sobre a relação entre beijo e cultura. Escolhi algumas delas e as inseri nas imagens.
Dez fotos diferentes, dez textos diferentes.

As fotos enviadas foram feitas pelos dois filhos do casal - O André e o Victor.

Com o intuito de trabalhar com as fotografias, convidei o artista e designer gráfico Sérgio Guerra para desenvolver uma identidade única para as fotos. Ficou decidido, após algumas sugestões, que os textos inseridos seriam manuscritos e as imagens apresentariam tons avermelhados.

Assim, o trabalho final que já pode ser visto nos banheiros dos 05 bares, é o resultado de um processo participativo e colaborativo.

Agradeço ao Beto, Rosana, André, Victor e Sérgio a boa vontade e confiança em participar desse projeto.


Para ver as fotos nos banheiros, visite os bares:

Aconchego da Floresta - Floreta
Churrascaria do Itamar - Esplanada
Bar do Primo - Lourdes
Bar Sabor do Nordeste - Santo Antônio
Bar Local - São Pedro

Maires informações sobre o evento

www.comidadibuteco.com.br