quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

GESTOS MECÂNICOS - Dezembro de 2007

Quanto mais percebo a facilidade com que imagens em movimento são transmitidas de forma global em questões de minutos, mais consciente fico da incapacidade de uma leitura profunda dos aspectos que constituem essas imagens - desde sua intenção, origem, método, abrangência, até sua recepção e percepção pelo outro.
Não pretendo atestar valores e posições hierárquicas, qualificando em categorias essas formas de percepção. Mesmo os mais imprevisíveis contatos são intensidades, possibilitando apreensões reais.
Na série de vídeos denominados Gestos Mecânicos, realizados entre o período de 01 a 25 de dezembro de 2007, percebo uma amplitude que transborda os limites de um tempo e lugar precisos, abrindo-se, em suas particularidades individuais, ao encontro com o outro.
Nessa obra que se desmenbra e dilui, convergindo para uma existência que não se consegue deter e que se move sozinha, compreendo sua facilidade de ser tanto uma faceta como toda sua extensão. Completamente livre de direções e proposições rígidas, sua imaterialidade compõe nesse espaço virtual um imenso espectro de abertura ao porvir.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Mapeamento verbal da série Gestos Mecânicos - acompanhe os vídeos no You Tube.

Gestos Mecânicos I - 01/12/07

uma ação cotidiana em uma série de vídeo registro.

Gestos Mecânicos II - 02/12/07

Série de 25 vídeos como registro de uma mesma ação diária. A data da captação da imagem e do upload é apresentada ao início do filme. As imagens são captadas por uma CAM/ câmera de PC.

Gestos Mecânicos III - 03/12/07

"Os acontecimentos são as únicas idealidades; e reverter o platonismo é, em primeiro lugar, destituir as essências para substituí-las pelos acontecimentos como jatos de singularidades." GILLES DELEUZE

Gestos Mecânicos IV - 04/12/07

"Foi a partir desta descoberta do rosto como lugar do acontecimento que o cinema mudo pôde produzir um mundo de epifanias, de coisas dotadas de olhar. Por meio do close, que dá dimensão monumental ao rosto, suspende toda intriga e duraçao exteriores para concentrar nele os acontecimentos." NELSON BRISSAC PEIXOTO - Paisagens Urbanas

Gestos Mecânicos V - 05/12/07

"É somente através do muro do significante que se fará passar as linhas de a-significância que anulam toda recordação, toda remissão, toda significação possível e toda interpretação que possa ser dada. É somente no buraco negro da consciência e da paixão subjetivas que se descobrirão as partículas capturadas, sufocadas, transformadas, que é preciso relançar para um amor vivo, não subjetivo, no qual cada um se conecte com os espaços desconhecidos do outro sem entrar neles nem conquistá-los, no qual as linhas se compõem como linhas partidas..." GILLES DELEUZE/FÉLIX GUATTARI - Ano Zero/Rostidade.

Gestos Mecânicos VI - 06/12/07

Hoje vai ser o silêncio!

Gestos Mecânicos VII - 07/12/07

Como habitar os espaços? Como construir possibilidades criativas e ativas nessa relação com o interior dos lugares familiares - o quarto, o banheiro, os cantos? Nessas performances, amplio campos de presença, transportando-as para mídias públicas e de livre acesso.

Gestos Mecânicos VIII - 08/12/07

Chamo de "gestos mecânicos" aquelas ações que acontecem cotidianamente, e que incluídas como ações necessárias e insdipensáveis, atualiza em nós uma reflexão sobre os atos modelados e destituídos da presença ativa na ação.

Gestos Mecânicos IX - 09/12/07

quero me ver livre do rosto...desse rosto ultrapassado e que não me atende mais. Trabalhar de forma a desconstruir uma identidade formatada pelo medo e culpa. Meu corpo não é meu rosto, é muito mais que isso.

Gestos Mecânicos X - 10/12/07

Destruir o rosto é trazer dignidade para a cabeça. Uni-la ao corpo, eliminando a experiência de deslocamento corpo-cabeça.

Gestos Mecânicos XI - 11/12/07

Nessa cabeça de palhaço, expondo seu rosto ao ridículo da ação, fica evidente a sutil e invisível passagem entre estados que motivam, no outro, o desrespeito, o olhar crítico, a indiferença, e por outro lado, a inserção em circuitos culturais, a aceitação, a sofisticação intelectual. Transitar entre esses lugares pode ser uma política.

Gestos Mecânicos XII - 12/12/07

Fenômeno ritual intenso que, em sua repetição, devolve ao gesto a possibilidade de ser pura poesia.

Gestos Mecânicos XIII - 13/12/07

"Conquistadores podem ter privado suas vítimas da sua linguagem, arte, religião, reis e arquitetura; mas a dança, sempre fértil, escapou do controle do conquistador." T. Hijikata

Gestos Mecânicos XIV - 14/12/07

"...é preciso constatar que se misturam diariamente nas telas do planeta as imagens da informação, da publicidade e da ficção, cujo trabalho e cuja finalidade não são idênticos, pelo menos em princípio, mas que compõem, debaixo de nossos olhos, um universo relativamente homogêneo em sua diversidade." Marc Augé

Gestos Mecânicos XV - 15/12/07

Total participação - total alienação...não existe espaço para o conforto do equilíbrio.

Gestos Mecânicos XVI - 16/12/07

A pele do rosto....deslizando pela sua superfície, a câmera registra suas descontinuidades, rugosidades...percursos que modificam sua aparente superfície - máscara.

Gestos Mecânicos XVII - 17/12/07

Na superfície da imagem do vídeo apresenta-se um corpo e sua profundidade, demarcada pela presença da escova de dente dentro da boca e em movimento.

Gestos Mecânicos XVIII - 18/12/07

A cidade nos mantém sob seu olhar, que não se pode suportar sem vertigem. Se gostas de vigiar, ofereço meu rosto para seu controle.

Gestos Mecânicos XIX - 19/12/07

Esse diário é, para mim, desenvolvimento de pensamentos que me afligem dia e noite, mais ou menos imediatos e gerais. Não sei se há seqüência de um dia para outro ou se há fragmentação de assuntos ou idéias, o que sei é que é vivo, documento vivo do que quero fazer, do que penso e sinto.

Gestos Mecânicos XX - 20/12/07

A vergonha e a sua ausência são apenas manifestçaões opostas de uma mesma necessidade...sera?

Gestos Mecânicos XXI - 21/12/07

Quando olho para um rosto conhecido, daqueles que se guarda uma memória contida, percebo que fico estranho. É como uma invasão da minha privacidade...um estupro. Não pelo outro, que nem se dá conta daquilo, mas pela sensação de castração que o rosto consegue impor a mim. Rosto como identidade, como poder, como construção ideológica. Rosto de terno e gravata e olhos azuis, rosto de salto alto, rosto no palanque.

Gestos Mecânicos XXII - 22/12/07

....o tempo como um lenço usado. Quanto mais amarrotado, mais possibilidades de novas invenções.

Gestos Mecânicos XXIII - 23/12/07

O gesto de escovar os dentes parece tão corriqueiro que, antes de pensar sobre isso, na infância, achava ser natural tal hábito.Minha avó me contou, quando ainda viva, que ela não tinha escova de dente quando criança. Não existia!Escovava os dentes com uma folha, não me lembro qual, e na beira do rio. Isso me impressionou muito! Tive que rever todas as minhas crenças, e não acreditei mais no que os adultos falavam.

Gestos Mecânicos XXIV - 24/12/07

"Rosto, que horror, é naturalmente paisagem lunar, com seus poros, suas espessuras desiguais, suas partes obscuras, seus brilhos, suas brancuras e seus buracos: não há necessidade de fazer dela um close para torná-la inumana, ela é close naturalmente, e naturalmente inumana, monstruosa cogula." Gilles Deleuze; Félix Guattari - Ano Zero/Rostidade.

Gestos Mecânicos XXV - 25/12/07

"Num contexto marcado pelo controle da vida, as modalidades de resistência vital proliferam de maneiras as mais inusitadas." Peter Pál Pelbart - Vida Capital/p.150.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

GESTOS MECÂNICOS - série de vídeos diários realizados para a web. O projeto se estende durante 25 dias - de 01 a 25 de dezembro de 2007.

Vinte e cinco dias de uma ação repetitiva e particular. Nessas videoperformances para a web - you tube - traço um percurso tendo o meu corpo como instrumento de percepção temporal. Gestos repetitivos, já moldados pela memória do corpo. Gestos mecânicos e condicionados pela necessidade da higiene corporal, sempre particular e íntima.
O rosto como paisagem, o rosto como apresentação da construção identitária do homem, o rosto como política, o rosto como força de controle.

"Se o rosto é uma política, desfazer o rosto também o é, engajando devires reais, todo um devir-clandestino. Desfazer o rosto é o mesmo que atravessar o muro do significante, sair do buraco negro da subjetividade. O programa, o slogan da esquizo-análise vem a ser este: procurem seus buracos negros e seus muros brancos, conheçam-nos, conheçam seus rostos, de outro modo vocês não o desfarão, de outro modo não traçarão suas linhas de fuga."

Gilles Deleuze/Félix Guattari. (Mil Platôs: capitalismo e esquzofrenia) p.58
" O presente é o único tempo disponível, o único tempo real, e longe de ser somente quando cessa de ser...ele não cessa de durar, de continuar, de se manter. Quando comecei essa comunicação, o presente estava aqui. Ainda está, nesse momento em que eu a continuo. E estará sempre, quando eu tiver terminado, quando tivermos nos despedido, quando pensarmos em outra coisa..."

ANDRÉ COMTE-SPONVILLE/O Ser-Tempo

Série de videoperformance para a web - GESTOS MECÂNICOS

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Maçãs do amor - ação contrária/ Diadema - 2006 - SP/ Wagner Rossi





O projeto “Maçãs do amor-ação contrária” aconteceu em Diadema (SP) no dia 09 de dezembro de 2006. O projeto, realizado junto ao coletivo EIA –Experiência Imersiva Ambiental, tão logo se concretizou, terminou. Vaporoso, instantâneo, permitiu experiências afetivas de contato e união. Ao escolher uma árvore na Praça da Moça, em Diadema, para acolher 100 maçãs, o que prevalece é o desejo enquanto invenção, possibilitando novas formas de agir no cotidiano e restabelecendo “outras” formas de cooperação, gerando contatos sociais e coletivos que criam qualidades sempre novas de afetação recíproca, valores próprios, inventividade grupal. É o corpo do coletivo que, unido, agrega valores, instaurando novas associações e permitindo fluxos de trocas energéticas e alegria jubilosa.A invenção e a cooperação, fontes de alegria, permitem que possamos experimentar uma nova relação social e afetiva, baseada na expansão; subtraindo uma postura de carência, sofrimento e falta que são reações próprias do tédio e do conformismo social e que alimentam toda uma estrutura social-política-religiosa de modelação corporal. Em “Maçãs do amor-ação contrária”, agir na contramão do socialmente estabelecido e, simbolicamente, oferecer o fruto ao contrário de retirá-lo, produziu consciente/inconscientemente uma pequena variação no padrão imposto, ressoando, em nossos corpos, a alegria da abundância.
Wagner Rossi

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

FESTIVAL DISPOSITIVO- Paço das Artes - São Paulo


Dentro da temporada de projetos do Paço das Artes, acontece o Festival Dispositivo. Nesse projeto participo com uma videoperformance.

A abertura da mostra acontece dia 21/11/07

Paço das Artes - São Paulo/SP

www.pacodasartes.org.br

quarta-feira, 14 de novembro de 2007


sem título
fotoperformance - 2007
fotografia digital - políptico
wagner rossi

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

EU VOS LIBERTO - ZIKZIRA TEATRO FÍSICO

Fernanda Lippi e André Semenza, atuais responsáveis e fundadores da Cia Zikzira Teatro Físico, depois de mais de um ano de trabalho, apresentam o espetáculo EU VOS LIBERTO - 23 de novembro à 09 de dezembro - no espaço cultural ESPAÇO 104, em Belo Horizonte.

Resultado da disciplina e capacidade criativa dos dois, e da equipe que os acompanha, o espetáculo parece ser de uma qualidade e força excepcional.

Para quem quer saber mais sobre o trabalho da Cia Zikzira, acesse o site http://www.zikzira.com/

e www.zikzira.com/euvosliberto

O site é uma maravilha.

Abaixo, segue parte do release que recebi da Fernanda e do André:

A Companhia Zikzira Teatro Físico apresenta a audaciosa montagem “Eu Vos Liberto”, versão da tórrida paixão de Fedra, esposa de Teseu, pelo enteado Hipólito. Considerada a primeira tragédia sexual da humanidade, a peça é, nas palavras do diretor André Semenza “o retrato de humanos desenraizados à procura de pistas”. “Eu Vos Liberto” estréia no dia 23 de novembro no Espaço 104 numa temporada de 3 semanas e segue em turnê internacional por Londres (Inglaterra), Paris (França), Stockholm (Suécia), Tallinn (Estônia) e Seul (Coréia do Sul).
Um espetáculo de amor, ódio, culpa, dor e perdão. Não necessariamente nessa ordem, essas poucas palavras podem traduzir, ainda que de forma superficial, a nova (e audaciosa) montagem da Companhia Zikzira Teatro Físico. Reconhecida por seus projetos instintivos e impactantes, que não se furtam em causar espanto e até certo desconforto (no bom sentido!), a cia. Anglo-brasileira desafiou-se ao buscar o mote de seu mais recente trabalho no berço do teatro universal: a Grécia Antiga. Desta vez, dois anos após encenar “Verissimilitude”, espetáculo aclamado por crítica e público, a Zikzira leva ao público do Brasil “Eu Vos Liberto”, versão adaptada pelos diretores e inspirada na idéia original da clássica história de Eurípides, que há 2.500 anos narrou a tragédia “HIPÓLITO”.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Algumas fotos da abertura da exposição LIVING ROOM - QUARTO VIVO






Imagens da abertura da exposição LIVING - ROOM Quarto Vivo, que aconteceu em São Paulo - dia 03/11/07.
As imagens foram enviadas pela Juliana Freire.
"Nada existe a priori; o tempo tudo inicia e tudo faz; até o próprio tempo se faz por si mesmo. Para o artista "o fazer-se", o profundo fazer-se que ultrapassa as condições do faciendi material, é que constitui a sua principal condição criativa. A criação se faz, nunca se deixa de fazer."
Hélio Oiticica

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Galeria EMMA THOMAS - São Paulo/SP


Recebi algumas imagens da montagem da exposição Living Room - Quarto Vivo.
Aproveito para postar um pequeno release da mostra, que a Juliana e a Flaviana, proprietárias da galeria, me enviaram ontem.

As artistas plásticas e estilistas Juliana Freire, 30 anos, e Flaviana Bernardo, 27 anos, são as idealizadoras da galeria Emma Thomas.

A Galeria é um espaço informal, inaugurado em 2006, com o objetivo de abrigar a recente produção artística contemporânea brasileira. Conta com aproximadamente 300m2 de área interna e externa, para realizar mostras. Somam-se ao espaço 6 mostras coletivas, apresentando 100 artistas e lançando 2 novos curadores em apenas um ano de funcionamento.

A intenção da galeria é promover a produção nacional contemporânea, fomentar a produção de novas linguagens como vídeo, sound art, arte e tecnologia e difundir a produção laboratorial, dentro do circuito nacional das artes visuais, com jovens artistas e artistas consagrados dividindo o mesmo espaço.

Aos moldes dos “Gabinetes de Curiosidades”; dos Salões da Academia Real de Pintura - Grande Galeria do Louvre 1699/França, a mostra “Living Room – Quarto Vivo” reapresenta um dialogo com os antigos salões europeus. A exposição trará à tona a idéia do artista e do espectador - de maneira homogenia - como integrante da exposição, anulando os padrões expositivos atuais. A ‘exposição-obra’ se apropria dos temas tratados por cada um dos 50 artistas, criando uma aglutinação que se sobrepõe à individualidade da obra. Os visitantes conseguirão apreciar uma variedade de peças artísticas, sem cronologia ou ordem sucessiva de apresentação, tornando-se uma grande instalação.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

LIVING ROOM - quarto vivo



Exposição coletiva, em São Paulo, onde apresento algumas fotografias - fotoperformances.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

FESTIVAL DISPOSITIVO- Paço das Artes - São Paulo

Em tempo recorde, eis a lista das obras selecionadas para o Festival-Dispositivo. O festival acontece de 17 de Novembro a 30 de Dezembro no Paço das Artes. Aguardem novidades sobre a programação!
Ver mais em: www.pacodasartes.org.br/
cinefalcatrua.wordpress.com/

“VPK” (fragmento) Eduardo Silva Salvino
36ª DP Marcus Bastos
0 to retain Simone de Martino
14×7 Marcus Bastos
7 to release Simone de Martino
A4 Edson Ferreira
access denied Rachelmaurício Castro
Alugo Jatos Luana Boaventura
Aos lados, volver! Douglas Pinheiro e Jan Yuri Amorim
A pedra = a coisa e o algo Amélia Sampaio
Armadilhas da Pintura - Vol. 7 – Limpeza Hugo Houayek
Ariano Suassuna canta Calypso Geane Carla
Ascese: “Ferro, Leite e Garrafa” Rodrigo Castro de Jesus
Atravessamentos Diogo de Moraes e Fábio Tremonte
Autorizamos ao Sr. Isaque Meireles
Bananeira Maneira Anderson Corrêa de Araújo
Bandeira Chico Linares
Bike Praia Ivan David
booom! Rachelmaurício Castro
Brasil Fausto Junior
Broadway Woman’s Worth Daniel Toso
Car Trip Giovani Castelucci
Catedral da Sé Graciela Rodriguez
Cena do vídeo Saúde Nelson Antônio
Centro de Vitória Márcia Rúbia Frasson Soares
Copacabana Saulo
Dance Dance Francisco Dantas
Delivery Vítor Kennedy
Des-estação Patrícia Gerber
Desaparecidos Missa na Catedral da Sé Graciela Rodriguez
Entre Estações Annádia Leite
Esfolando Metal Hervan Rossi
E ténue Letícia Weiduschadt
Extorquido Pedro Falcão
Fade In, Colher, Fade Out Christopher Faust
Faxineira Graziela Kunsch
Feira de Artesanato Célio Dutra
Féretro Felipe Borges
Fértil Baldio Marcelo Salum
Fiat Lux Nelton Pellenz
Fluido Lilian Amaral
Fly Eyes Claudia Barbisan
followme Rachelmaurício Castro
Formigueiro Júlio Alceu Correia
framesframesframes Ricardo Oppermann
Going Gobi Henk Nieman
Igreja Barroca Caio Cézar
Índios na Assembléia Legislativa Rapidemeto e Papaléguas
Inserções Telefônicas em Circuitos Ideológicos Pablo Paniagua
Instalação Anderson Corrêa de Araújo
Ipanema Saulo
L-CO Nelton Pellenz
Lejos 01 Joacélio Batista
Lejos 02 Joacélio Batista
Life is Coming Arthur Tuoto
Lombada Fábio Portela
Loops Radioativos Felipe Brait
Lua de Março Ruy Monfort
Lula Mauro Rubens da Silva
Malabares do Fogo Nelson Antônio
Massa em si e Gesto Amélia Sampaio
Mede-mede Raquel Stolf
Meninos para Sempre Roderick Steel
Metrô Sampaulo Cristina Ribas
Mobile Preacher Daniel Zante
Não Aprendi Dizer Adeus Fã-Clube do Roger
Narcisus Bolivianus Joacélio Batista
Nosso Quarto Cecília Soares
O “frederiquismo” no movimento estudantil Frederico
Opera Pink Micael Cimet
Orkut Fã-Clube do Roger
Oroboro ou um outro filme sem cortes Heraldo Ferreira
Os Novos Navegantes Jaime Lauriano
O Último Segundo Alan Rodrigues
Ovinho de Chumbo Vítor Kennedy
Palestra de Paulo Goulart na UFPB Geane Carla
Passarim Nelton Pellenz
Pasto de Nuvens Lucas Kogure
Pedrinho Fernanda Guimarães
Performance de George Sander Mauro Rubens da Silva
Pirilampos Maurício Covari
Pixelgrafia II Adilson Borges
Poltronas de Ônibus Eduardo Lima
Ponto de Equilíbrio Wagner Rossi
Pouso em Vitória Lucas Kogure
Primeira Aula Giuliano Nosralla Gerbasi
Que seja chama, se fogo for Annádia Leite
Rail Texture Drica Veloso
Raízes Subterrâneas Rafael Schlichting
Read my Lips Daniela Assunta
Remelão Sidney Calmon
Respeitos Claudia Barbisan
Robert Graziela Kunsch
Ruína Hóspede
Saída a Pelego Gustavo Torres
Sem Título Nelton Pellenz
Ser Nu Amélia Sampaio
Silendus - A Transformação do Corpo Osiel Garcia Barbosa
Sessão 0580 Marcos J. Penteado
Sobre Asas do Desejo Dirnei Prates
Soltando uma Pipa e Trocando as Bolas Renan Cepeda
Sonho …8 Mireli Costa
Spaceshipsunset Drica Veloso
Stalker no Andaraí Anderson Corrêa de Araújo
SuperDuperHiperLiper Joana Cruz
Tente Fazer Isso em Casa Thiago Tomé e Marcelo Comparini
Tibet or not Tibet Chang Chi Chai
Tonico Patrícia Bragato
Torcendo o pátio Fábio Portela
Tumba de Jesus Afonso Marques Oliveira
Twilight Memories #1 Erly Vieira Jr.
Twilight Memories #2 Erly Vieira Jr.
Übergang Hugo Fortes
Uh Lalá! Claudia Barbisan
Um Pouco Mas Morri Marilei Fiorelli
upload Rachelmaurício Castro
Vamos Dirnei Prates
Velinhas Gustavo Spolidoro
WC Masculino Daniel Seda
Whitespace Geraldo Sauerkraut
Xsun Drica Veloso

A TRAVESSIA - DEVANEIO DO HOMEM QUE ANDA

Onde começa e termina uma performance?

Quando, em 2003, realizei a performance MANAS, na MIP – Manifestação Internacional de Performance , tive a clara sensação de um transbordamento da ação, que, além da sua duração pré-estabelecida, favoreceu outros projetos, ações, pensamentos e direções. Assim, sem conseguir estabelecer limites precisos, percebi que o antes e o depois da performance faziam parte de um continuum do tempo, que unidos a ela, favoreceram esse transbordamento e originaram outras possibilidades reflexivas.
Na performance proposta para o projeto Multiplicidade, emVitória, situada em um tempo e espaço distante dessa primeira experiência performática, novamente me vi diante da sensação de expansão nesse contato espacial/temporal. Por isso, talvez, ainda tenho dificuldade de escrever sobre a performance A TRAVESSIA: DEVANEIO DO HOMEM QUE ANDA.
Pensando sobre a performance, desde o meu retorno, não consigo estabelecê-la como algo independente dos outros acontecimentos que, de forma excepcional, aconteceram em Vitória durante o multipliCIDADE. Quem sabe devo perceber essa performance como uma ação unida às outras ações, como um movimento criado de forma independente, mas que quando manifestou-se, imediatamente se interconectou aos outros acontecimentos?
É claro que estas divagações são sustentadas pela característica ritualística da performance A Travessia..., que, intencionalmente, pretendeu estabelecer um campo mítico de atuação. Se a característica escultural da figura humana, caminhando pela cidade, e o estranhamento dessa presença pública permitem a recuperação na memória de acontecimentos reais ou imaginários, sua manifestação presentifica no espectador e no performer uma experiência direta com a ação, que ante de ser narrativa, é potência e energia plena de visualidade e vitalidade.
Nas palavras de Renato Cohen, “o campo mítico é um “entre-parentêses”, um tempo-espaço que se insere no tempo do cotidiano (experiência do ordinário, das relações objetivas)” e é, continuando a citá-lo, possível através da “inteireza, adensamento, exacerbação, ampliação da presença – colocação do potencial psicofísico inteiramente alinhado com o trabalho presente”.
Talvez aqui, depois do que já foi escrito, encontre uma possibilidade de refletir sobre esse continuum da performance, já que em Vitória, lugar estranho para mim, pude, como um nômade, experimentar uma sensorialidade destituída da lógica racional. Claro que, durante a performance, meu corpo experimentou forças e presenças além das corriqueiras, mas exatamente por isso pude levar essa consciência “outra” para os demais encontros e trocas afetivas.
Esse transbordamento, invisível aos olhos, mas perceptível enquanto manifestação sensória estabelece relações entre a prática artística e sua diluição/absorção na vida. Se a vida é potência e livre devir, os afetos que surgem daí são permeáveis e descontínuos, permitindo aberturas que dialogam com a presença de um espaço saturado de informação e utilidade. A pausa, como é percebida no campo mítico, oportuniza uma resistência ao cotidiano útil e preenchido por fragmentos que não se conectam. Na super agitação, própria do estímulo capitalista, somos invadidos por uma sutil vibração que, inevitavelmente, nos retira de uma mera posição individualista e anônima.
Wagner Rossi - 23/10/07


sobre a MIP ver:
www.ceia.art.br/
www.ceia.art.br/mip/galeria.htm

domingo, 21 de outubro de 2007

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

...poesia de Walt Whitman

Canto a mim mesmo

"A cópula tem o mesmo valor que a morte.
Creio na carne e nos apetites.
A vista, o ouvido, o tato...São milagres.
E cada partícula minha, cada apêndice meu
é um milagre.
Sou divino por dentro e por fora
e santifico tudo que toco
e tudo o que me toca:
O odor de minhas axilas é tão sutil como o de uma prece
e esta cabeça minha
vale mais que as igrejas,
as bíblias
e os credos."

WALT WHITMAN

sábado, 13 de outubro de 2007

A TRAVESSIA - DEVANEIO DO HOMEM QUE ANDA

A postagem foi feita de baixo pra cima...estas 05 imagens são do final da performance.







...posteriormente escreverei um texto sobre a ação.

mais imagens da performance





A TRAVESSIA - DEVANEIO DO HOMEM QUE ANDA - performance realizada dia 11/10 - Multiplicidade 2007 - Vitória/ES





domingo, 7 de outubro de 2007

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

multipliCIDADE 2007 - mapa de ações em Vitória


Venho acompanhando o trabalho do COLETIVO ENTRETANTOS, de Vitória-ES. Nesse ano acontece o segundo MULTIPLICIDADE, evento de ações e intervenções urbanas ralizado pelo coletivo.

Até agora só tenho tido motivo de satisfação em participar, com uma performance, do multipliCIDADE 2007.

Segue mapa dos locais e datas das várias ações que acontecem durante os 10 dias do evento.

Vale conferir, no http://www.entreblog.tk/, os outros eventos paralelos...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O colapso do corpo a partir do ankoku butô de Hijikata Tatsumi - Christine Greiner

Quanto mais leio e pesquiso sobre a arte da performance, mais me aproximo do que hoje é definido como dança contemporânea. Não em todas as suas manifestações, mas em muito do que é pensado e proposto nesse universo.

Uma pesquisadora da PUC/SP, Christine Greiner, muito ligada ao campo da dança, é referência como conhecedora das questões do corpo e performance, incluindo, nas manifestações corporais, o trânsito entre ocidente e oriente.

Sugiro a leitura de um artigo dela, na net, que trata sobre o Butô - manifestação artística especificamente japonesa - rico em possibilidades de reflexão para quem se interessa pelo assunto corpo/performance.

www.japonartesescenicas.org/estudiosjaponeses/articulos/ankokubutoh.pdf



sábado, 22 de setembro de 2007

série Ponto de Equilíbrio


Fotoperformance - 2007
Wagner Rossi

multipliCIDADE 2007/projetos selecionados

A Comissão Organizadora do multipliCIDADE 2007 informa os projetos selecionados pela Comissão de Seleção, formada por Luara Monteiro, Marcílio Riegert, Hugo Neto, Marcus Vinícius e Rafael Massena. A seletiva foi realizada no dia 20 de setembro de 2007, na Galeria Homero Massena, em Vitória - ES, e foram selecionadas as propostas com viabilidade de execução dentro das condições do multipliCIDADE.
A Comissão Organizadora agradece a inscrição de todos e divulga a lista dos selecionados!Logo abaixo, todos os últimos e-formes!
Ações e Intervenções Urbanas
13 NUMA NOITE [RJ]2 de paus [ES]Belê [SP]Bia Black [SP]DUPLA [SC]Edinho [SP]Eduardo Verderame [SP]Elaine Pinheiro [ES]EU NÃO SOMO [SP]Floriana Breyer [SP]Genivado Amorim [SP]GIA [BA]Grupo Era [ES]Grupo OVO [CE]Jeff Anderson & Eloir Santos [SP]Jefferson Wille Kielwagen [SC]João César de Melo [ES]José Carlos Aragão [MG]Jose Paulo Neves [MG]Julio Leite [PB]Junior de Paiva [GO]Luciana Ohira & Sergio Bonilha [SP]Maíra Vaz Valente [SP]Micheline Torres [RJ]NGDG [RJ]Pedro Costa [BA]Pedro Olaia [PA]Rodrigo Lourenço [RS]Socorro Souza [CE]Surto Coletivo [MG]Thiago Arruda [ES]Tom Lisboa [PR]Vias Marginais [SP]Vitor Butkus [RS]vix. [BA]Wagner Rossi [MG]

Maiores informações: http://www.entreblog.tk/

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

CORPO E BARBÁRIE

Nesta 5ª edição do ENARTCi o Hibridus deseja explorar, por meio da linguagem-dança, as gramáticas do corpo socialmente construídas. Assim, ao propor o tema “Corpo e barbárie” nos convida a repensar seus eixos, jeitos e usos, porque o corpo não é apenas matéria-repositório do espírito. Ele é língua, verso, grito, gozo, dor, janela... por vezes cerrada, noutras, trancafiada

[saiba mais pelo site http://www.hibridus.com.br/]

Na quarta-feira, 12 de setembro, ao passar os olhos pelo jornal Estado de Minas, tive a grata surpresa de ler matéria sobre o ENARTCI. Em sua quinta edição, o evento de dança contemporânea, que acontece em Ipatinga(Vale do Aço-MG), me surpreendeu pela proposta conceitual e profissionalismo.
Com o tema CORPO E BARBÁRIE, o quinto ENARTCI proporcionou encontros, trocas, fluxos de idéias e expressões.
Em uma troca de e-mail com Wenderson Godoy, um dos responsáveis pelo ESPAÇO HIBRIDUS, propositor do ENARTCI, recebi um texto produzido durante o encontro desse ano. Apesar do encontro ter ocorrido entre 06 e 09 de setembro, fica aqui o registro do encontro através desse texto.

Terrorismo Cultural & Atentado Poético

Memorando de Ipatinga

Ipatinga, 09 de setembro de 2007.


De: Artistas da dança sofrendo e/ ou se divertindo no Enartci

Para: Todo mundo se divertindo e/ ou sofrendo no resto do Brasil

Estamos aqui para desenvolver variações em torno do tema "Corpo e barbárie" (independente da tradução que alguém faça de "corpo" e "barbárie"). Entre espetáculos, conversas, passeios de trem pela Ipatinga que turistas, empresários e governos não vêem, chegamos ao inevitável debate sobre políticas públicas. Para a cultura ou para além da cultura.

Passamos, como sempre, por questões como:

-Leis de incentivo, alternativas a elas, ou a falta de alternativas.

-Patrocinadores, ou a maneira como nossas publicações, imagens e paredes de teatros estão cada vez mais poluídas com logomarcas.

-Nossa postura no meio deste debate, sempre cheia de desejos e frustrações, mas com menos sugestões ou proposições do que seria eficiente.

-Urgência da implantação de medidas que estimulem a diversidade cultural, aqui entendida não apenas como uma diversidade de projetos ou idéias, mas de modos de criar, produzir, expressar.

-Dificuldade em agir por um bem comum quando o núcleo atual da estrutura de produção gira em torno de elaborar projetos, inscrever-se em editais, captar recursos – ou seja, atividades que premiam o individualismo e o isolamento, e inibem o surgimento de ações políticas coletivas.

Tendo isso em vista, propomos (convocamos, atentamos, sugerimos, clamamos e exclamamos):

- Circulação de sugestões, propostas, posicionamento afirmativo sobre como devem ser as políticas culturais. Ninguém tem a obrigação de nos salvar, de modo que nenhuma proposta de política pública será legítima e suficiente se não partir de nós.

- Implantação de processos que conduzam a um treinamento político-poético-ideológico, centrado em temas como - mas não somente - formas de organização, estratégias de comunicação com públicos (gente comum, mídia, comunidades específicas, capital, governantes etc.), estruturas de ação direta (intervenção, mobilização, terrorismo cultural e atentados poéticos), que nos dêem condições materiais e objetivas de encontrar as formas de nossa militância neste novo século.

-Determinação de objetivos, já que é necessário discutir – sempre – por que dinheiro de contribuintes deve ser aplicado neste programa ou naquele projeto. É inadmissível a postura dos grupos e artistas que, ao receberem recursos públicos, retiram-se do debate sobre as políticas, ou da pressão sobre os poderes.

-Estímulo aos programas que propiciem o encontro e a diversidade, e às estruturas de fomento, que sejam constantes e que não se abalem com mudanças governamentais.

-Uma nação com cultura continuada adoece menos e faz melhor suas escolhas.

No mais,

Aguardamos as notícias de vocês,

E pretendemos continuar a martelar a cabeça e a caixa postal de vocês com as nossas notícias.

www.hibridus.com.br

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Wagner Rossi - vídeo-performance PE#001



vídeo-performance PE#001

http://www.youtube.com/watch?v=cdX-9jmPvwQ

SOBRE O NOMADISMO...

"Existir é sair de si, é se abrir a um outro, ainda que através de uma transgressão. De resto, é a marcha transgressiva que sempre é o índice mais claro de uma energia ativa, de um poder vital se opondo ao poder mortífero das diversas formas de fechamento. Assim, contrariamente ao que prevaleceu na economia de si e na economia do mundo próprias do individualismo burguês, ser fora de si é um modo de se abrir ao mundo e aos outros."

Michel Maffesoli

MULTIPLICIDADE 2007 - Vitória/ES


Vale a pena conferir o edital do MULTIPLICIDADE 2007. O coletivo Entretantos, de Vitória, é o responsável por esse projeto de ações e intervenções urbanas. Saiba mais pelo blog www.entreblog.tk


O Coletivo Entretantos, em parceria com a Casa Porto das Artes Plásticas, Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória, Sub-Gerência de Artes Visuais da Secretaria de Cultura do Espírito Santo, Secretaria de Produção e Difusão Cultural da UFES, Sindicato dos Artistas Plásticos Profissionais do Espírito Santo e Centro de Artes da UFES, através do FACITEC - Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia, torna público que se encontram abertas de 25 de julho a 14 de setembro de 2007 as inscrições para projetos de ações e intervenções artísticas e oficinas práticas e/ou teóricas, a realizar-se de 05 a 14 de outubro de 2007, em Vitória - ES, no multipliCIDADE 2007.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

TEXTO DE SALA

Este texto foi escrito por mim e é uma apresentação e reflexão sobre os trabalhos que exponho na Celma Albuquerque Galeria de Arte. Durante a mostra, o texto estará disponível próximo aos trabalhos.


Na década de 1970, a performance, enquanto manifestação artística e plástica, inscreve-se como mais uma possibilidade transgressora de uso do corpo, em detrimento de um panorama sociopolítico instável e em mutação. Estendendo os limites entre arte e vida e propondo ao corpo a experiência de ser um objeto estético, os artistas ampliaram limites formais da pintura e escultura, incluindo tempo real e movimento no espaço, além de oportunizar interdisciplinaridades no campo expandido da arte.
Atualmente, a arte da performance evidencia uma grande variedade de experiências com o corpo que, aliadas ao crescente desenvolvimento tecnológico, desdobram-se em novas categorias e formas de visibilidade e visualidade. Com os avanços na produção e recepção de imagens, advindos do desenvolvimento das tecnologias da comunicação e das tecnologias digitais, o corpo, que foi exclusivamente matéria física e volume espacial, multiplica-se em virtualidades até então impensadas.
Nesse panorama as performances ampliam campos de atuação, dialogando com dispositivos tecnológicos, não apenas como apreensão do novo, mas como processo de discussão e reflexão do corpo na contemporaneidade. As formas distendidas de performance – fotoperformance, vídeo-performance, performance na web etc – estabelecem novas camadas de percepção corporal e permitem reflexões nesse contexto do corpo como obra.
Dentro desse recorte e ampliando suas complexidades, os trabalhos que apresento na Galeria Celma Albuquerque, para a mostra em questão, estão inseridos dentro de um processo de pesquisa, que tem origem na relação corporal do artista com aquilo que o cerca, estabelecendo, diante desse contato, a “soberania” do corpo.O que surge como questão é o aparato social, político e cultural de modelação e estagnação das identidades e afetos, possibilitando uma desestabilidade física e imagética como proposição para questionamentos do controle social. O corpo como afirmação do pensamento, potência criadora, estabelece diferenças que embaralham códigos pré-estabelecidos, abrindo-se para um mundo totalmente diverso do construído pela razão clássica e “estatizante”.
Nas fotografias- fotoperformance – uso meu corpo como elemento presencial e em processo no ambiente, escolhendo lugares íntimos e familiares para criar dispositivos sustentados pela imagem fotográfica. Nesses lugares, oriento ações corporais que, enquanto imagens, estabelecem espaços de memória ativados pela presença do corpo. Na oposição entre o que é experimentado e a estaticidade do lembrado, evidente na fotografia, uma instabilidade perversa é acentuada. Instabilidade que perpassa a ocupação de lugares cotidianos – qualquer lugar – mas que é lançada numa experiência vertiginosa, não apreendida pelos sentidos.
Pela imobilidade fotográfica, o corpo, nesse caso, opera deslocamentos que colocam em questão formas de percepção e localização espacial, viabilizando, através de uma situação desconexa, outras possibilidades de construção mental do espaço. Nos trabalhos expostos, em que rotações da imagem e construções físicas projetam um corpo destituído de peso, o ambiente é movediço e instável, podendo desfazer-se a qualquer instante. Nesses lugares, o corpo é a presença que sustenta o olhar e, ao mesmo tempo, elemento desestabilizador.
Nos vídeos – vídeo-performance – o conceito é muito semelhante, diferindo das fotografias pela característica específica desta mídia. Outras questões surgem, tais como o tempo, o movimento, a sonoridade ou sua ausência, a seqüência em looping etc. Obviamente, diante dessas diferenças básicas, outras formas de percepção levam-nos a distintas formas de reflexão. De qualquer forma, não pretendo aqui me aprofundar nestas especificidades, optando por incluir elementos constitutivos dos trabalhos em questão.
Na vídeo-performance Policéfalo, desdobramento de outro trabalho, de nome Cabeças Pesquisadoras, o corpo do performer é um corpo-totem; emblemático pelas desterritorializações que opera diante de uma das extremidades do corpo – a cabeça. Na ausência de um local único e preciso para o rosto, fragmento corporal determinante da superioridade humana na sociedade ocidental, o corpo é presença e representação, possibilidade criadora e instabilidade errante.
Dialogando com a outra vídeo-performance, PE#001, onde a cabeça e parte do tronco, sobre uma cadeira, estão em rotação invertida, expondo um corpo frágil e em desequilíbrio iminente, o que fica visível é a presença da cabeça, transgressora, em todos os trabalhos expostos, diante da construção de identidade e individualidade do ser fechado.

WAGNER ROSSI

sábado, 25 de agosto de 2007

trabalho da série Horizontalidade - 2007




















fotografia digital - fotoperformance - da série Horizontalidade
Wagner Rossi - 2007
"Não existe ninguém que não se dê conta do absurdo relativo, do caráter gratuito, historicamente condicionado, da interdição da nudez e, de outra parte, do fato que a interdição da nudez e sua trasgressão determinam o tema geral do erotismo - quer dizer, da sexualidade transformada em erotismo (a sexualidade própria do homem, a sexualidade de um ser dotado de linguagem)."

GEORGES BATAILLE

Exposição na Galeria Celma Albuquerque - BH



Vale a pena conferir os trabalhos dos vencedores do comida di buteco - arte no banheiro/2007. Nessa mostra, os artistas apresentam outros trabalhos, com o foco em suas próprias pesquisas.
Estou expondo, na galeria, algumas fotografias - fotoperformance - e 02 vídeos - vídeo-performance.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

...outro trabalho da série Ponto de Equilíbrio



...Com a intenção de registrar uma experiência fugaz, que acontece no contínuo do tempo, e que é neutralizada pela imobilidade fotográfica, o corpo, nesse caso, opera deslocamentos que colocam em questão formas de percepção e localização espacial, viabilizando, através de uma situação desconexa, outras possibilidades de construção mental do espaço...
Wagner Rossi

domingo, 19 de agosto de 2007

PERFORMA 07 - evento bienal de performance

PERFORMA 07 é um evento que acontecerá de 01 a 20 de novembro de 2007 em Nova Iorque.
Em sua segunda edição, o evento criado por RoseLee Goldberg ( A arte da performance: do futurismo ao presente )é interdisciplinar e pretende incentivar a pesquisa, o desenvolvimento e a apresentação de artistas visuais que trabalhem com "arte viva".

Vale conferir o site do evento: www.performa-arts.org

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

TANQUE - com Marco Paulo Rolla e Dudude Herrmann

performance na estrutura - Galeria Emma Thomas/SP




http://suwud.com
Este flyer está disponível em resolução melhor no nosso site:
suwud.com/structures/flyer_abertura_emmathomas.jpg

fotoperformance da série Ponto de Equilíbrio












fotoperformance da série Ponto de Equilíbrio/2007

Wagner Rossi